UPA Costa Barros: reinauguração milionária oculta problemas no atendimento

População sofre e profissionais estão há meses sem receber, segundo denúncias

Por O Dia

Crivella reabriu UPA de Costa Barros, na Zona Norte, que recebeu obras emergenciais de recuperação estrutural, no dia 2 de janeiro. População e profissionais denunciam más condições da unidade
Crivella reabriu UPA de Costa Barros, na Zona Norte, que recebeu obras emergenciais de recuperação estrutural, no dia 2 de janeiro. População e profissionais denunciam más condições da unidade -

Rio - Reinaugurada há três meses e com um investimento de 2,4 milhões de reais em sua reestruturação, a UPA de Costa Barros, na Zona Norte do Rio, não vem funcionando da maneira que a população esperava. Faltam médicos, remédios e pagamento de profissionais. A sensação de revolta toma conta de quem trabalha no local e de quem precisa de atendimento.

Um profissional que não quis se identificar conta que salários na unidade estão atrasados desde dezembro e, mesmo após a reforma realizada no fim de 2018, o prédio sofre com infiltrações: "Quando chove, vaza água, o ar-condicionado está ruim, não tem maca, não tem cadeira, não tem nada para os pacientes. Tudo está destruído", conta.

Sobre o serviço dos médicos, o profissional relatou que os plantões são trocados frequentemente e os profissionais da saúde, em sua maioria, são despreparados: "Tem médico que não sabe fazer uma sutura, que não sabe fazer nada, só vai lá para dormir, literalmente. Os médicos trocam o plantão um com o outro e a população fica esperando. O plantão troca às 7h, outro médico chega 8h30, 9h, para atender o povo", desabafou ao DIA.

A unidade foi reaberta com a promessa de 9 mil atendimentos no mês, além de oferecer serviços odontológicos de urgência, mas quem precisa ser acompanhado se decepciona. É o caso de Thiago Cisneiros Marques, operador de telemarketing, de 36 anos que precisou voltar pra casa após não conseguir arrancar um dente: "A primeira vez que fui na UPA foi para ir ao dentista. Uma profissional me falou que não tinha anestesia, aí pediu para que eu voltasse na outra semana. Voltei na outra semana e um outro dentista me atendeu e me falou a mesma coisa. Esse segundo dentista já falou que a prefeitura não está dando dinheiro para a UPA, nem fornecendo os remédios", contou.

Thiago revelou ainda ter voltado ao local por três semanas seguidas, sem sucesso: "Eu só quero arrancaro dente, porque eu não aguento mais de dor", disse, contando que toma injeções para amenizar a dor, mas sem conseguir resolver o problema. "A nota é 0 para o serviço. Se você for em uma padaria e não tiver pão, não é uma padaria, não é? É mais ou menos isso que acontece na UPA Costa Barros". 

Procurada pelo DIA, a Secretaria Municipal de Saúde não respondeu até o fechamento desta matéria. O espaço está aberto para manifestação.

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