ISP: Mortes provocadas por confronto com a polícia são as mais altas desde 2003

Números do instituto apontam para aumento de mortes em decorrência de intervenção de agentes do Estado e diminuição de homicídios dolosos

Por Felipe Rebouças*

Dados do ISP apontam maior número de mortes em confrontos com a polícia desde 2003
Dados do ISP apontam maior número de mortes em confrontos com a polícia desde 2003 -

Rio – A polícia do Rio atingiu o maior patamar de mortes em confrontos entre agentes de segurança e bandidos nos três primeiros meses de 2019. É o que revela o levantamento apresentado nesta quarta-feira pelo Instituto de Segurança Pública (ISP), referente ao período. Somadas, as mortes por intervenção de agentes do Estado nos primeiros três meses deste ano (434) constituem o maior índice da série histórica do ISP, desde 2003. O aumento em relação ao primeiro trimestre de 2018, quando 368 pessoas morreram em decorrência de operações policias, é de 17,9%. Já as mortes de policiais reduziram à metade — o instituto registrou 15 até o momento, ante 30 no mesmo período do ano passado. Em abril de 2017, o ISP contabilizou 47 assassinatos.

Os números, no entanto, não podem ser atribuídos, ainda, ao novo governo estadual, conforme explica o especialista de Segurança Pública José Ricardo Bandeira. "Não podemos atribuir a mudança nos índices à política do novo governo estadual e, sim, e ainda, aos efeitos da Intervenção Federal, que durou quase o ano passado inteiro e empenhou um planejamento na Segurança Pública do Rio", afirma Bandeira.

Menor índice para o mês de março em 28 anos, com 344 registros, os homicídios dolosos tiveram redução de 32% em ao mesmo período do ano passado. Os latrocínios (roubos seguidos de morte) também apresentaram queda em março: foram 11 mortes em março de 2019 e 20 no mesmo período do ano passado. No entanto, Bandeira argumenta que não se deve relativizar os números sob quaisquer óticas. "O latrocínio é um acidente. O ladrão não sai para matar, ele sai para roubar. É necessária a implementação políticas públicas específicas para conter o latrocínio", indica o especialista.

Quanto aos crimes contra o patrimônio, que tiveram redução de 23% em relação ao primeiro trimestre do ano passado, o especialista sinaliza para um registro defasado dos casos. "Temos subnotificação das ocorrências. A população, se sentindo cada vez mais insegura, desalentada, opta cada vez mais por não fazer o registro de ocorrência", afirma.

Os roubos de rua – roubo a transeunte, roubo em coletivo e roubo de aparelho celular –, por exemplo, aumentaram 6% em relação a março de 2018. Em comparação ao primeiro trimestre de 2018, o aumento foi de 3%. Os dados divulgados pelo Instituto de Segurança Pública são referentes aos Registros de Ocorrência (ROs) lavrados nas delegacias de Polícia Civil do Estado do Rio.

Aumento dos índices de letalidade

Para Bandeira, a tendência para os próximos meses é de recrudescimento dos confrontos entre policiais e bandidos e, com isso, um aumento dos índices de letalidade.

"Em virtude do que prega o novo governador, desde a campanha, a tendência é que tenhamos uma polícia mais enérgica, violenta e letal daqui para a frente", afirma. "Se não houverem mecanismos de controle como o reforço das corregedorias teremos cada vez mais policiais se sentindo motivados a cometerem excesso", conclui o especialista.

*Estagiário sob supervisão de Thiago Antunes

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