A agonia do cavalo, retirado ferido de bueiro, no Centro de Paraty, revoltou internautas - Reprodução: Tribuna Sul Fluminense
A agonia do cavalo, retirado ferido de bueiro, no Centro de Paraty, revoltou internautasReprodução: Tribuna Sul Fluminense
Por FRANCISCO EDSON ALVES

Rio - Imagens da agonia para a retirada de um cavalo - que puxava uma charrete com turistas - de um bueiro em pleno Centro Histórico de Paraty, na Costa Verde, estão viralizando e deixando internautas e ativistas que atuam em defesa dos animais, indignados. O animal caiu na segunda-feira num buraco sem tampa e tomado pela maré alta, mas só agora as imagens começaram a circular na internet. Segundo testemunhas, carroceiros levaram pelo menos meia hora para retirar o bicho, com diversos ferimentos nas patas e tronco.

O site de notícias Tribuna Sul Fluminense, publicou vídeo (clique no link abaixo), que traduz a emoção de uma criança na hora em que o animal foi salvo: "Saiu mãe, saiu!", grita uma menina, com a voz embargada e demonstrando alívio.

https://www.youtube.com/watch?v=Dnp4ZVSHFNs&feature=youtu.be

A agonia do cavalo e o desespero dos carroceiros para salvá-lo, foram filmados e fotografados por dezenas de pessoas que pasavam pelo local na hora do acidente. "Dois absurdos: a falta de manutenção do calçamento e a irresponsabilidade de botarem animais para circular numa área coberta de água do mar até os joelhos", desabafou a internauta Thais Santos Cermeli. "No início do ano, outro animal morreu ao sofrer acidente idêntico", denunciou Paula Sampaio, de 35 anos.

Em virtude do feriado, somente nesta quarta-feira o governo municipal deverá se manifestar sobre o assunto. De acordo com moradores, as pedras irregulares e escorregadias do calçamento, tipo pé-de-moleque, que fazem parte do cenário de Paraty desde o século 18, são causas constantes de acidentes envolvendo  animais que puxam charretes com visitantes. Em maio de 2016, um cavalo morreu eletrocutado, após cair numa caixa de energia destampada, e também chocou paratienses e turistas.

Campanha contra tração animal 

O passeio com charretes para turistas puxadas por cavalos vem sendo tema de acalorados debates pelo Brasil. Esse tipo de atividade, contestada por diversas entidades, Ongs e associações protetoras dos animais, passou a ser proibida em várias cidades, como Petrópolis, na Região Serrana Fluminense. Na ilha de Paquetá, as carroças passaram a ser puxadas por carrinhos elétricos.

O advogado e biólogo Reynaldo Velloso,  presidente da Comissão de Proteção e Defesa dos Animais da Ordem dos Advogados do Brasil (CPDA/OAB-RJ), e recém empossado na CPDA/OAB-Nacional, adiantou que a instituição promoverá no dia 25 de maio, em Paraty, um seminário, para se discutir alternativas para o fim da tração animal no município. 

"Dentro da iniciativa de se montar um esquadrão do bem em todo o Brasil, em defesa dos animais, alinhado com o Congresso Nacional, com os tribunais, Ministério Público, Defensorias e instituições do poder público, vamos dar esclarecimentos à população e aos charreteiros; mostrar os avanços de medidas em prol dos bichos em outras cidades; e apresentar alternativas ao sofrimento e crueldade a que esses animais s/ao submetidos. Trações elétricas, mecânicas ou bondinho, são algumas delas", ressalta Velloso.

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