O vereador licenciado Carlos Bolsonaro com o pai, Jair, durante a campanha eleitoral - Reprodução/ Instagram
O vereador licenciado Carlos Bolsonaro com o pai, Jair, durante a campanha eleitoralReprodução/ Instagram
Por Gustavo Ribeiro e Luiz Portilho

Rio - Os burburinhos sobre uma suposta atitude do vereador Carlos Bolsonaro (PSC) com o pai estão dando o que falar. Depois de o presidente Jair Bolsonaro (PSL) ficar três dias sem postar no Twitter, surgiram especulações de que o filho, de 36 anos, teria escondido a senha do chefe da nação em retaliação após uma discussão no domingo. A situação inusitada no Planalto virou brincadeira nas redes e fez muita gente lembrar conflitos virtuais no dia a dia.

O site da revista 'Época' garante que foi Carlos quem vetou o acesso. Segundo a reportagem, os dois se desentenderam porque o vereador postou, no YouTube do pai, vídeo do intelectual Olavo de Carvalho atacando o vice Hamilton Mourão — o conteúdo foi apagado. Jair Bolsonaro voltou a interagir no Twitter na quarta e contestou: 'fakenews'.

A secretária-executiva Cláudia Lage, da Tijuca, compara a confusão com discussões bobas que já teve com o filho Matheus Lage, de 25. "Quando quebrei o pé, fiz post marcando Matheus no Twitter e pedi para ele pegar o carro e fazer as compras. Ele me bloqueou", conta, rindo. O estudante Pedro Bassil, de 25, bloqueia os pais no Instagram para evitar intromissões.

Já a artesã Rosilene Ferreira, 50, compartilha senhas com a filha de 20 anos, e a livrou de uma furada quando era menor de idade. "Desconfiei de mensagens que ela recebia do perfil de uma amiga. Quando reparei bem, era o pai da amiga mandando coisas estranhas. Eu não o denunciei, mas mostrei que estava lendo. Aí, ele parou", lembra.

"Se a pessoa compartilha suas senhas, dá a liberdade para alguma intervenção. Cada relação tem um combinado. Se esse acordo é quebrado, não é saudável", reflete a psicóloga Aline Saramago. A advogada Maria Luciana Pereira de Souza, sócia do escritório Rodrigo Ribeiro e Oliveira Advogados Associados, adverte que fornecer senhas pode ser arriscado. "Se postam conteúdo racista, por exemplo, o dono do perfil pode responder judicialmente porque existe uma presunção de identidade na autenticação. Se ele franqueia o acesso à conta ao filho ou assessoria, corre este risco."

Internautas aproveitaram a campanha de uma cervejaria que brinca com conversas em grupos de parentes no WhatsApp para comentar o caso da família do presidente Bolsonaro. A hashtag #todafamiliatem bombou ontem com comentários de internautas.

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O comunicador João Fontenelle, 22, diz que ninguém deveria cortar o acesso do presidente por 'briguinha': "Ser filho dele não dá o direito a decidir ao que o pai tem acesso ou não. Sem contar que ele é apenas vereador do Rio. Não tem por que tomar decisões condizentes à comunicação do presidente. Ninguém tem direito de impedir o acesso, seja um ‘bolsofilho’ ou qualquer outra pessoa". Arquivo Pessoal
A secretária-executiva Cláudia Lage, 55, diz que o presidente deveria se expor menos nas redes. "É um absurdo o Carlos bloquear o acesso do pai às redes sociais. Mas o Jair Bolsonaro nem tinha que se expor na internet e muito menos deixar o filho arrumar "briguinha" no governo. Ele é o presidente do país. Família é família e país e família não deveriam se misturar. Meu próprio Twitter é fechado" Reprodução / Facebook
A psicóloga e coach Aline Saramago diz que é necessário um acordo entre as partes para não haver conflito. "No caso do Bolsonaro ou de qualquer outra pessoa, o compartilhamento de senhas dá a liberdade para outra pessoa fazer intervenções em seu perfil. Mas cada relação tem um trato, um combinado. Se o acordo é quebrado, não é saudável, e pode acarretar na perda de confiança entre casais ou familiares". Divulgação
A enfermeira Elaine Freitas, 42 anos, compartilha as senhas com a filha, de 13 anos. "Tem de haver isso, sim. É uma questão de confiança entre mãe e filha, quem não tem nada a esconder uma da outra". Ela criticou Carlos: "O presidente é dominado pelo filho? Os valores estão errados. Filhos estão querendo mandar nos pais dentro de casa". Daniel Castelo Branco /Agência O Dia
A artesã Rosilene Ferreira, 50 anos, deixa a filha, de 20 anos, mexer em seus perfis. "Ela usa meu Facebook, quando peço. Uma vez desconfiei de mensagens que ela recebia através do perfil de amiga. Era o pai da amiga mandando coisas estranhas. Ela era menor de idade. Falei com ele, que parou. O Carlos quer comandar o país. Essa briga é uma loucura". Daniel Castelo Branco /Agência O Dia

*Colaborou o estagiário Felipe Rebouças

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