Guerra aos matadores de policiais: DH projeta resolução de 60% dos casos

Uma ação integrada entre as polícias Civil e Militar aperta o cerco contra suspeitos de executar agentes de segurança pública

Por Herculano Barreto Filho

Fernandinho Guarabu
Fernandinho Guarabu -

Rio - Matadores de policiais foram alvo de duas ações simultâneas. Pela manhã, a Delegacia de Homicídios da Capital (DH) prendeu Gustavo Dutra dos Santos, acusado de participação na morte do PM reformado Dirley José Cordeiro, de 76 anos, que atuava como segurança no Saara, no Centro do Rio. Ele foi morto a tiros ao tentar impedir um assalto no dia 13 de março. Outros dois suspeitos de participação no crime seguem foragidos. Em outra operação, um bandido identificado como Felipinho, acusado de matar o sargento Cícero Fernandes da Silva em Itaguaí, no dia 29 do mês passado, foi morto em confronto com policiais militares.

O cerco fechado aos suspeitos de envolvimento na morte de agentes de segurança faz parte de uma ação integrada entre as polícias Civil e Militar. Há um ano, a DH criou o núcleo de investigação de mortes de agentes de segurança, uma unidade formada por oito agentes exclusiva para solucionar esse tipo de caso. Até então, havia uma estrutura que também englobava a investigação dos autos de resistência, como são chamados os casos de morte decorrente de intervenção policial.

Essa unidade firmou uma parceria com a subsecretaria de inteligência da Polícia Militar. "Desde o momento em que o policial sofre o atentado, trabalhamos em conjunto com a DH. Assim, a investigação acontece com mais rapidez", explica o coronel Damião Luiz Portella, subsecretário de Inteligência da PM.

Com foco exclusivo, a DH solucionou 40% desse tipo de caso, mais do que o dobro em comparação à média no estado. Neste ano, a expectativa é atingir um índice de 60%. "Criamos um canal único de troca de informações entre as instituições. Também passamos a investigar os motivos e os locais onde as mortes estão ocorrendo", diz o delegado Marcelo Carregosa, à frente do núcleo.

Ele explica, ainda, um objetivo ambicioso: mudar o comportamento do tráfico. "Existe uma conduta esperada de criminosos. Dentro de algumas localidades, é esperado que ele entre em confronto. Muitos já mataram mais de um policial. São figurinhas repetidas. Com a responsabilização dos chefes do tráfico, a ideia é inverter essa lógica".

Força-tarefa para prender

A prisão de Matheus do Espírito Santo Severiano, em julho do ano passado, no Complexo do Lins, Zona Norte do Rio, é um exemplo dessa parceria. O criminoso é apontado como o autor dos disparos que mataram o coronel Luiz Gustavo Teixeira, comandante do 3º BPM (Méier), morto em outubro de 2017. Ele também é suspeito de envolvimento na morte de outro policial: o tenente Guilherme Lopes da Cruz, baleado em uma tentativa de assalto em fevereiro de 2018, na Freguesia, Zona Oeste da cidade. O homicídio foi esclarecido pela DH. Mas Matheus foi capturado em uma ação em conjunto com a PM, que contou com a participação de mais de 600 homens.

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Fernandinho Guarabu Divulgação
Cremilson de Souza, o Coroa Divulgação
Matheus do Espírito Santo Severiano Divulgação
Nisinho do Gambá Divulgação
Gabriel Almeida Pereira, o Biel Divulgação
thiago da silva folly, o traficante TH reprodução
Alexandre do Nascimento rlima

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