Reunião da comissão processante ontem foi aberta ao público - Renan Olaz/ CMRJ
Reunião da comissão processante ontem foi aberta ao públicoRenan Olaz/ CMRJ
Por Maria Luisa de Melo

Aberto no início do mês, o processo de cassação contra o prefeito Marcelo Crivella (PRB) continuará tramitando na Câmara do Rio. Por dois votos a um, a decisão foi tomada ontem por vereadores integrantes de uma comissão designada para avaliar tanto a denúncia contra o gestor quanto os argumentos da defesa dele.

Crivella é acusado pelo fiscal da Secretaria Municipal de Fazenda Fernando Lyra Reis de ter cometido irregularidades em contratos de publicidade em pontos de ônibus e relógios de rua, o que teria provocado prejuízo superior a R$ 8 milhões aos cofres municipais. Os acordos foram renovados em dezembro de 2018, apesar de as empresas Cemusa Rio S/A e Brasil Outdoor Ltda estarem inadimplentes à época.

Como O DIA já havia antecipado, os vereadores Willian Coelho (MDB) e Luiz Carlos Ramos Filho (Podemos), respectivamente presidente e relator da comissão processante, votaram a favor da continuidade do processo. Só o vereador Paulo Messina (PRB) decidiu pela extinção.

"Há fortes indícios de que houve uma infração político-administrativa. Foi renovado um contrato sem previsão legal. O que precisa ser observado é: qual foi o interesse público?", defendeu o vereador Willian Coelho.

Segundo Coelho, no próximo dia 10, a Câmara começará a ouvir as testemunhas do denunciante. Por sinal, Fernando Lyra acompanhou a apresentação do primeiro relatório da comissão ontem. As testemunhas arroladas pelo prefeito serão ouvidas a partir do dia 13. A comissão não descarta a convocação de Crivella. "Se for convocado, terá que comparecer", pontuou o emedebista.

O processo tem até o dia 4 de julho para ser concluído. Depois de as testemunhas serem ouvidas, um relatório elaborado pela comissão será votado em plenário. A Casa, então, decidirá se Crivella será ou não destituído do cargo.

Crivella classifica denúncia como "descabida"

Defensor de Crivella enviado à Câmara para tentar barrar o curso da cassação, o ex-secretário da Casa Civil Paulo Messina (PRB) voltou a dizer que a continuidade do processo de impeachment tem caráter estritamente político, e não técnico.

"Não há elementos comprobatórios para um julgamento, e o impeachment é um julgamento. O correto seria investigar se houve erros, por meio de uma CPI. Eu seria o primeiro a assinar o pedido de abertura de uma comissão parlamentar", criticou Messina.

Em nota, Crivella se posicionou de forma parecida. Disse que a manutenção do processo foi uma decisão política e que a denúncia é descabida e "não irá prosperar".

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