Médica baleada invade calçada com carro, atropela três e morre no Maracanã

Segundo a PM, Danielle Vivian Midea Lasmar de Almeida, 51 anos, foi atingida em uma tentativa de assalto e buscava socorro, mas morreu ao volante. Um estudante, um funcionário do Cefet e outra mulher que seria da Petrobras foram atropelados

Por Adriano Araujo e Luiz Portilho

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Rio - Uma mulher foi baleada, perdeu o controle do carro que dirigia, atropelou pelo menos três pessoas e morreu em seguida, na manhã desta sexta-feira, na Rua General Canabarro, em frente ao Centro Federal de Educação Tecnológica Celso Suckow da Fonseca (Cefet), no Maracanã, na Zona Norte do Rio. Segundo informações iniciais, Danielle Vivian Midea Lasmar de Almeida, 51 anos, médica do trabalho, foi atingida em uma tentativa de assalto e estaria buscando socorro, mas não resistiu ao ferimento causado pelo disparo no lado esquerdo das costas, perto do ombro.
O caso aconteceu por volta das 7h20 e policiais do 6º BPM (Tijuca) foram acionados para o local. Bombeiros foram chamados para socorrer os estudantes atropelados às 7h25. O carro da vítima, um Honda Civic, invadiu a calçada e ficou entre o muro do Cefet e um poste, destruindo um hidrante. Danielle já estava morta quando os militares chegaram. O marido está no local, além de outra parente, que chora muito.
Médica Danielle Vivian Midea Lasmar de Almeida tinha 51 anos e morreu no Maracanã após ser baleada em tentativa de roubo - Reprodução
Os atropelados são um funcionário do Cefet, Ribamar Ferreira, 58 anos, um aluno de 16 anos da Escola Técnica Estadual Ferreira Viana (ETEFV), da Faetec, e uma mulher que seria funcionária da Petrobrás, que teve ferimentos leves. Os dois primeiros, que ficaram presos embaixo do veículo, foram levados para o Hospital Municipal Souza Aguiar, no Centro.
O estado de Ribamar, segurança do Cefet, é estável, segundo a Secretaria Municipal de Saúde (SMS). Ainda não há informações sobre o jovem. 
"Eu estava dando aula, quando uma aluna falou o que estava acontecendo. Quando chegamos, vimos que havia um segurança do CEFET, um aluno da Faetec debaixo do carro. A senhora, que não sei onde trabalha, não ficou presa. O que segurou o carro foi o hidrante da calçada, senão o estrago seria maior. Assaltos sempre acontecem aqui. Há uma cabine da PM a 50 metros, mas está abandonada", disse o professor do CEFET Rafael Ferrara, 40 anos.
Crime em área com muitos assaltos
De acordo com relatos de testemunhas, a tentativa de roubo contra a médica teria ocorrido no sinal da Rua Morais e Silva com Rua Ibituruna, que sofre frequentemente com casos de assaltos. O engenheiro Gelson Alves dos Santos teve o carro roubado quase no mesmo horário em que Danielle foi baleada, também na Ibituruna.
Segundo um policial, o engenheiro contou que viu um bandido tentar roubar um carro. Após não conseguir, roubou o carro dele. Ele chegou a ouvir um disparo. O seu veículo, um Honda Fit, foi abandonado a 100 metros do local em que o automóvel da médica parou. O homem roubado após a médica ser baleada conversou com jornalistas no local.
"Era um garoto (o criminoso), provavelmente estava querendo fugir. Ele foi no sinal onde eu estava parado, na Morais e Silva, tentou assaltar o carro da frente e não conseguiu, e veio para cima do meu. Eu saí do carro com meu filho. Ele só apontou a arma, não falou nada, e eu logo saí sem levar nada. Só meu filho que conseguiu pegar a mochila e o celular", narrou Gelson.
Uma testemunha, que não quis se identificar, afirmou que viu um homem em pé assaltando, ouviu uns três tiros e correu. Uma outra disse que ouviu dois disparos.
Quem estava perto e escutou os disparos lembra os momentos de desespero. "Eu ouvi uns tiros vindos da Veiga de Almeida (universidade na Rua Ibituruna). As pessoas correram e, logo em seguida, eu escutei o barulho da batida do carro. Eu fiquei paralisada, com medo de atirarem em mim. Agora, temos mais uma família destroçada", disse a vendedora Maria Alves, 62 anos, que estava perto do local. "Aqui tem assalto de tudo quanto é jeito. Tem ladrão de bicicleta, de skate, de moto...", completou.
O analista de sistemas Leandro Dias, de 42 anos, disse que passa todos os dias pelo local e reclama que os assaltos na região são constantes, com o policiamento não dando conta. "Vejo pouco (policiamento) e quando eles vão embora, os criminosos sabem e voltam. É furto, cara com estilete, pau, pedra, assalto aqui é uma rotina. Já fui vítima, consegui me defender e o ladrão desistiu", falou, lembrando um arrastão esta semana na rua.
"Passou aqui todo dia e sempre tem alguém sendo assaltada. Essa semana teve arrastão e eu entrei na Petrobras, onde trabalho, mas quem não tem esse recurso entra debaixo de carro, sai correndo. Teve até uma mulher com neném que foi agredida", conta.
A PM realiza buscas na região em busca do atirador que matou a motorista. Uma faixa está ocupada no local para o trânsito. A perícia da Delegacia de Homicídios da Capital (DH-Capital) foi chamada, mas chegou somente às 9h33 e o trânsito da Rua Ibituruna foi desviado para a Radial Oeste, sentido oposto à cena do crime.
A investigação será conduzida pela DH-Capital e "diligências estão em andamento com a finalidade de encontrar um maior número de provas". O corpo da vítima foi retirado do local às 10h44, mas agentes ainda periciavam a cena do crime às 12h. No início da manhã de hoje, tiros foram ouvidos no Morro da Mangueira, de acordo com o aplicativo Onde Tem Tiroteio (OTT-RJ). 
Carro envolvido no caso subiu a calçada e atingiu muro do Cefet - Reprodução / Internet

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M Cléber Mendes
Carro envolvido no caso subiu a calçada e atingiu muro do Cefet Reprodução / Internet
Médica baleada no Maracanã Reprodução

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