Militar do Exército mantém a família refém em Cascadura

Tenente-coronel colocou os filhos, que são gêmeos, na porta do apartamento para que a polícia não entre

Por RAFAEL NASCIMENTO

A mulher e as crianças estão em poder de André Luiz desde às 20h desta terça
A mulher e as crianças estão em poder de André Luiz desde às 20h desta terça -
Rio - O tenente-coronel do Exército identificado como André Luiz, de 50 anos, mantém a mulher, Luciana Arminda, 45, e os filhos, que são gêmeos, 11, reféns desde às 20h desta terça-feira em Cascadura, na Zona Norte do Rio. Todos estão em um apartamento do terceiro andar do prédio do Condomínio Califórnia Park, que fica na Rua Cerqueira Daltro.
PMs do Batalhão de Operações Especiais (Bope) negociam a liberação dos reféns com o tenente-coronel, que tem 20 anos de Exército e atualmente baseado em Resende, na Região Sul Fluminense. O militar mantém os dois filhos na porta da residência para que a polícia não entre no apartamento. As crianças estão assim desde às 21h.
"O Bope assumiu a ocorrência ontem e todos os protocolos estão sendo seguidos para termos um desfecho favorável. Essa é uma situação tensa", avalia o porta-voz da Polícia Militar, o coronel Mauro Fliess. "Temos médicos e psicólogos, da PM, que estão acompanhando as negociações. O estado de saúde das vítimas está sobre controle diante do que a situação permite. Eles estão sendo acompanhados por uma equipe médica e pelos psicólogos e estamos com negociadores batentes qualificados".

Galeria de Fotos

Familiares de Luciana acompanham as negociações de perto Rafael Nascimento / Agência O DIA
Bope está negociando a libertação dos reféns Reprodução / OTT-RJ
Militar mantém a família refém desde às 20h desta terça Reprodução / OTT-RJ
O prédio fica na Rua Cerqueira Daltro Reprodução / OTT-RJ
André Luiz e Luciana Arquivo Pessoal
BRIGAS
De acordo com vizinhos, o sequestro começou quando o casal começou a brigar. Luciana foi até a janela e gritou pedindo socorro. Os porteiros ouviram e chamaram a polícia. Agentes do 9º BPM (Rocha Miranda) foram os primeiros a chegar no local, seguido do Bope.
"Eu estava em casa, moro no mesmo andar deles e fiquei sem saber o que estava acontecendo. Quando abri a porta já tinha polícia, bombeiros...", lembra o estudante de Farmácia Carlos Orlando Marreiro, 36. "De vez em quando eles tinham desentendimentos, mas nada tão grave como agressão. A gente sabia que tinha desentendimentos, mas a gente nunca viu ela machucada".
O universitário conta que a polícia orientou os moradores do andar a não saírem pelo corredor e usar o elevador de serviço e as escadas. "A gente não imagina que vai acontecer no nosso prédio. A gente não via as crianças no play. Eu encontrava mais eles no elevador quando iam para a escola", Carlos acrescenta.
SEPARAÇÃO
A mãe de criação de Luciana acompanha o caso de perto, muito abalada e preferiu não falar com a imprensa. Outros familiares também estão no local.
Parentes da mulher avisam que há um ano ela tenta se separar do tenente-coronel e já fez vários boletins de ocorrência contra ele. 
O militar é apontado como um cara muito ciumento, chegando a fazer com que ela saia de casa apenas com um filho por vez, com medo de que ela ela fuja levando as duas crianças.
"Ele não está bem psicologicamente. Isso não é atitude de pessoas que estão bem. Agora, a nossa maior preocupação é que ele caia em si e veja o que está fazendo com a família. Estamos esperando que o comandante dele chegue aqui e nos ajude", torce Cláudia Carvalho, prima de Luciana.

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