Polícia prende envolvidos em esquema de roubo de combustível na Baixada
Suspeitos participaram de furto de duto da Petrobras, em abril, que causou a morte da pequena Ana Cristina Pacheco Luciano, de 9 anos. Outras duas pessoas seguem foragidas: Wesley Muniz Pollete e Matheus Kevin da Silva Belo
Carmona Ventura e Sônia Cristina presos durante ação batizada de Operação GraciosaDivulgação / Polícia Civil
Por RAFAEL NASCIMENTO
Rio - Agentes da Delegacia de Defesa dos Serviços Delegados (DDSD) prenderam nesta terça-feira duas pessoas envolvidas no roubo de dutos de gasolina realizados em 26 de abril, em Duque de Caxias, na Baixada Fluminense. O casal de criminosos, identificados como Ventura Carmona Ventura, de 43 anos, conhecido como Cafu, e Sônia Cristina Tavares Ventura, 45, foram capturados em Xerém. Ambos fazem parte de uma milícia que atua na região e é especializada neste tipo de crime. A prisão aconteceu dentro da Operação Graciosa, em referência a pequena Ana Cristina Pacheco Luciano, 9, teve 80% do corpo queimado ao cair em um poço de gasolina Tipo A, em abril deste ano, no bairro Amapá, em Caxias.
Wesley Muniz Pollete também é procurado pelo crime
Divulgação / Polícia Civil
Carmona Ventura e Sônia Cristina presos durante ação batizada de Operação Graciosa
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Matheus Kevin da Silva continua foragido
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Carmona Ventura e Sônia Cristina presos durante ação batizada de Operação Graciosa
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"A investigação chegou ao Ventura Carmona Ventura que é proprietário de uma empresa de transporte de óleo. Ele aproveita, (que tem dois caminhões), para transportar o produto roubado da Petrobras — seja gasolina ou outro tipo de óleo. Já a Sônia cuida da parte administrativa e fazia contatos com os receptadores", lembra o delegado Júlio da Silva Filho, titular da DDSD. "A polícia busca outras duas pessoas. A que faz a preparação do duto para ser roubado e uma outra pessoa que o auxilia. Já temos mandados de prisão decretados e eles já são considerados foragidos", lembrou Filho sobre Wesley Muniz Pollete, responsável por furar os dutos e roubar o material e Matheus Kevin da Silva Belo que dava apoio à ação.
“Certamente, eles já participaram de outras ações criminosas ali naquela região. Eles são especialistas (em roubo de combustível). Inclusive, apuramos que aquele buraco já estava aberto e aquela ali não teria sido a primeira vez que atuaram na localidade", completou o delegado. Os presos serão indiciados e responderão homicídios qualificado, duas tentativas de homicídios, furto qualificado e organização criminosa.
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Operação Graciosa, o começo
No último dia 3, também foi preso em Xerém, Matheus da Silva Machado, de 21 anos, conhecido como Batata. Em sua residência foi encontrado com um motor de carro roubado. Ele foi detido por receptação. Segundo os investigadores, o homem tinha envolvimento no esquema que furta gasolina em seu estado bruto (tipo A) e passa por refino antes da comercialização. Segundo a polícia, há indícios de participação da milícia no furto de combustível.
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Uma fonte ligada à investigação contou a O DIA que o desvio de combustível teria participação de moradores e ex-funcionários da Transpetro. Ainda segundo ela, um recrutador indicado pela milícia é quem coopta ex-funcionários da empresa. O objetivo seria conseguir mão de obra especializada. O grupo responderia pela parte técnica da operação.
Segundo a fonte, caberia a eles encontrar o local e fazer a furação dos dutos. No esquema, os criminosos também tentariam angariar proprietários de terrenos e sítios por onde os dutos passam. Haveria também soldadores e motoristas de caminhão, e, após o abastecimento do reservatório do veículo, o combustível seria levado em seu estado bruto para o refino. Cada carregamento seria vendido por R$ 50 mil, pagos à vista e em dinheiro. São João de Meriti e Nova Iguaçu, ambos na Baixada; e São Paulo seria os principais destinos do material furtado.
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De acordo com um levantamento da Transpetro, desde 2016 os casos de furto de combustível mais que triplicaram no Estado do Rio, saltando de 72 para 261 no ano passado. Segundo a subsidiária da Petrobras, foram 42 milhões de litros furtados por quadrilhas especializadas, com prejuízos que ultrapassam R$ 600 milhões.
Para o delegado, a investigação é considerada complexa. "É um verdadeiro quebra-cabeças. Trata-se de uma organização criminosa que sabe muito bem o que está fazendo".
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Famílias reclamam da falta de apoio
Passado mais de um mês desde a morte de Ana Cristina Pacheco, a mãe da menina reclama da falta de assistência. A dona de casa Fernanda Pacheco, 26, conta que está morando de favor na casa de um conhecido, junto com o pai, a mãe, a irmã e dois sobrinhos. "Estamos em situação difícil. Não sabemos até quando poderemos morar nesta casa sem pagar nada. Não tivemos nenhum suporte. Ninguém nos procurou", desabafou.
Em nota, a Transpetro informou que prestou toda a assistência necessária às famílias vizinhas ao local do vazamento ocasionado pelo furto e "que vai fornecer hospedagem aos moradores prejudicados até o próximo sábado". A empresa esclareceu ainda que "segue realizando monitoramento ambiental".