Defensoria vai tentar acordos extrajudiciais para indenização de jovens abusados

Adolescentes e as respectivas mães estiveram no órgão nesta quinta-feira. A defensora Beatriz Cruz conta que eles estavam 'muito abalados' e foram encaminhados para atendimento psicológico

Por Beatriz Perez

Jovens acusam dois policiais militares e seguranças da SuperVia de os obrigarem a fazer sexo oral
Jovens acusam dois policiais militares e seguranças da SuperVia de os obrigarem a fazer sexo oral -
Rio - A Defensoria Pública do Estado do Rio tem uma reunião marcada para as 16h30 desta sexta-feira com representantes da Supervia. O órgão vai tentar um acordo extrajudicial com a empresa para indenizar por danos morais os dois jovens que denunciaram agressões e abuso sexual na estação de trem do Maracanã no último domingo. 
"Entramos em contato com a Supervia para celebrar uma indenização extrajudicial em favor dos jovens. Caso não seja bem sucedida, vamos propor ação indenizatória contra o Estado e a Supervia pelos danos morais sofridos", conta a subcoordenadora da Coordenadoria dos Direitos da Criança e do Adolescente da Defensoria, Beatriz Cruz.  
Os jovens e suas mães estiveram por cerca de duas horas no órgão na tarde desta quinta-feira. A defensora Beatriz Cruz diz que os dois estavam abalados e receberam atendimento psicológico.
"A ideia inicial foi fazer o acolhimento deles. Fizemos o atendimento com a psicóloga da Defensoria e demos o encaminhamento psicológico para a Rede Municipal de Saúde de Paracambi, onde vivem", explica a defensora.

Além da indenização da Supervia, a Defensoria também vai prestar assessoria jurídica aos jovens e tentar a indenização pelo dano emocional do Estado do Rio.
"O Estado também teve responsabilidade sobre o ocorrido, já que os policiais se apresentaram como PMs e estavam armados. Tentaremos a responsabilização em uma composição extrajudicial, que dependerá de anuência da Procuradoria-Geral do Estado. Caso não seja possível, faremos a proposição da ação de indenizatória", conta Beatriz Cruz.
A defensora Beatriz Cruz afirma que os jovens também serão assistidos nos processos criminais contra os seguranças da Supervia e os PMs envolvidos. "Vamos fazer assistência à acusação no processo criminal contra os agentes da Supervia envolvidos e acompanhar o procedimento administrativo que já foi instaurado contra os PMs", diz. 

Jovens reconheceram PMs
Os jovens reconheceram na quarta-feira dois PMs como autores da agressão. O reconhecimento foi feito por meio de um álbum de fotografias da Corregedoria da Polícia Militar. Também nesta quarta, a SuperVia identificou e demitiu dois seguranças que teriam participado do crime.
A Corregedoria da PM agora apura as informações passadas pelas vítimas, um rapaz de 17 anos e outro de 18. Se for comprovado que os policiais realmente tiveram envolvimento nas agressões e abusos, o próximo passo será identificar se eles estavam ou não de serviço. Se a dupla estava a trabalho, será configurado crime militar e o caso será investigado pelo próprio órgão de investigação da PM. Mas se no momento do crime eles estavam de folga, a investigação ficará com a Polícia Civil.
O delegado Roberto Ramos, titular da 18ª DP (Praça da Bandeira), informou que abriu inquérito que poderá indiciar os quatro envolvidos nas agressões aos dois jovens na estação de trem da Zona Norte. Eles poderão responder por estupro, tortura e agressão. O delegado já convocou os dois jovens e os seguranças da Supervia para prestar depoimento e vai analisar as imagens das câmeras de segurança da estação onde o abuso aconteceu.
O crime foi filmado e divulgado nas redes sociais pelos agressores. Após serem retirados de um vagão por estarem com drogas, os jovens foram obrigados a praticar sexo oral um no outro. Eles contaram que no momento da abordagem, dois homens, sem fardas, se identificaram como policiais militares e os tiraram do vagão. Em seguida, os dois foram levados para um local reservado com ajuda de seguranças da SuperVia, quando sofreram as agressões.

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