
Os números de assaltos a ônibus, aliás, têm crescido, segundo o Instituto de Segurança Pública (ISP). De janeiro a abril foram mais de 5.800 casos no estado, aumento de 21,6% em relação a 2018. Em média, um ônibus é assaltado a cada meia hora. As recomendações essenciais são manter as mãos visíveis para o bandido, evitar gestos bruscos e não encarar o criminoso, porque ele tente a pensar que a vítima quer decorar seus traços para informar a polícia. Deve-se sinalizar cada movimento (avisar ao bandido o que se vai fazer, como abrir a bolsa para pegar a carteira) e, dependendo da situação falar com o criminoso para acalmá-lo.
Em caso de tiroteio, a ideia principal é “reduzir a silhueta”, ou seja, tirar da linha de tiro a região do tórax e da cintura, que são as mais atingidas pelos disparos. “É deitar no chão mesmo”, diz Pimentel. Quem estiver num ônibus ou vagão de trem deve se abaixar. Se estiver dentro do carro, deve-se escorregar o corpo pelo banco até ficar abaixo do volante. Depois de identificar de onde vêm os tiros, a pessoa pode escorregar para fora do carro e se abrigar atrás do eixo das rodas. “Pouca gente sabe que o tiro de fuzil passa pelo bloco do motor, mas não pelo eixo das rodas. A chance de você sair vivo é muito maior”, diz.
O pedestre pego numa situação dessas pode buscar coberta o abrigo para escapar dos disparos. A coberta esconde a pessoa, mas não segura o disparo, como uma banca de jornal. O obrigo esconde e efetivamente protege, como uma caçamba de lixo com entulho ou uma divisória de pistas feita de concreto.
Arrastões em vias expressas também são uma triste realidade. O que fazer? Abandonar o carro? Voltar na contra-mão? “Se perceber o arrastão 50 metros a frente, pega as coisas e abandona o carro. Se o bandido estiver próximo, não resista e entregue os pertences. Voltar na contra-mão é absolutamente ineficaz. Melhor abandonar o carro e voltar depois”, explica Pimentel.
O motorista deve ficar alerta a riscos de ser abordado por bandidos no trânsito. A dica é evitar ficar parado. Reduza a velocidade antes de o sinal fechar, o bastante para não parar totalmente. Nos sinais, fique a uns 15 metros dos outros veículos, assim o bandido pode desistir de atacá-lo por medo de chamar a atenção de outros motoristas. Em vias de mão dupla, andar pela esquerda dificulda a ação dos bandidos
"Com certeza o condutor atrás de você vai ficar triste, chateado, estressado, mas não tem problema. A ideia aqui é preservar nossa vida”.
São frequentes os ataques a motoristas por dois bandidos de moto. Motos são roubadas para ações criminosas e o piloto tem que saber se comportar ao ser abordado. Mantenha a calma, avise o que vai fazer e nada de movimentos bruscos. “Vou equilibrar a moto; vou desligar o motor. Vou tirar o capacete. Nessa ordem”, explica Pimentel.
Em caso de sequestro relâmpago, a ideia é reduzir ao máximo o tempo em poder do bandido. Um medida fácil é andar com apenas um cartão de banco, para evitar ser forçado a ir a mais de um caixa eletrônico. Atenção também nas agências, principalmente se for sacar mais de R$ 2 mil. Se um desconhecido esbarrar ou pedir informação, ele pode estar sinalizando para outro que você acabou de sacar e é um alvo. Avise o segurança. Ir acompanhado ao banco é uma boa forma de prevenção.
Assim como no trânsito, é preciso não facilitar na porta de casa. Bandidos costumam agir no começo da manhã e no fim da tarde, quando os pais levam e retornam com os filhos da escola. Os ataques são rápidos e seguem roteiro: eles pedem joias, armas e dólares. A conduta inteligente é reduzir o tempo de exposição na rua. Tenha as chaves em mãos ao chegar, evite ficar parado na porta procurando por elas. Lugar de esperar, um carro de aplicativo, por exemplo, é na portaria ou na garagem. Nada de bobeira no portão. Ao chegar de carro, o controle remoto do portão deve gastar no máximo sete segundos entre o acionamento e a abertura total.
Bandidos costumam preferir prédios pequenos porque é mais fácil dominar todos os moradores. Portaria vidros cobertos por película facilitam a ação dos criminosos porque quem chega não nota que há algo errado.
Casa fechada por longos períodos, como nas férias, requer atenção. Se ao voltar, houver sinal de porta ou janela violada, não entre. Leve a família para lugar seguro e chame a polícia. Ao contrário do senso comum, deixar luz acessa não espanta, mas atrai ladrões. Afinal, luz acessa durante o dia é sinal de casa vazia. Assim como jornais, revistas e produtos acumulados na porta. Antes de viajar, suspenda as entregas.
Celular roubado
Celulares estão entre os produtos mais visados por ladrões, que conseguem revendê-los no mercado negro. Em caso de roubo, além de cancelar o chip na operadora, é importante ter o número IMEI do celular (um equivalente ao chassi do carro), que pode ser acessado discando o código *#06# . Com o IMEI do aparelho, a operadora consegue inutilizá-lo, mesmo que se coloque outro chip. Vale usar apenas o alerta de vibração, para evitar que uma ligação durante um assalto chame a ateção do criminoso, e retornar as chamadas de pessoas próximas para criar o hábito.
Intervenção no cinema
Depois dos Tropa de Elite, em que foi coautor, chega este ano às telas a terceira investida de Rodrigo Pimentel como coautor. Intervenção - é proibido morrer, que tem roteiro assinado por Pimentel em parceria com o jornalista Gustavo de Almeida, é uma reflexão sobre a experiência das UPPs contada pelo olhar de um experimente comandante e uma soldado idealista, interpretados por Marcos Palmeira e Bianca Comparato.





