Estudante vítima de bala perdida na Tijuca morreu no dia do aniversário do pai

'Isso não é um presente que um pai gostaria de ter, né?', disse, emocionada, a tia de Gabriel Pereira Alves, de 18 anos. Jovem atuava no futsal do Olaria e sonhava em virar jogador de futebol profissional

Por Adriano Araujo e Thuany Dossares

Gabriel, morto por bala perdida na Tijuca, era jogador de futsal no Olaria
Gabriel, morto por bala perdida na Tijuca, era jogador de futsal no Olaria -
Rio - Um dia que era para ser de festa, agora ficará marcado pela morte trágica de um jovem cheio de sonhos, entre eles virar jogador profissional de futebol. Gabriel Pereira Alves, de 18 anos, vítima de uma bala perdida enquanto esperava um ônibus na Rua Conde de Bonfim para ir ao colégio, morreu no dia que o pai faz aniversário.
Gabriel era do time sub-20 e adulto de futsal do Olaria, apontado como um atleta exemplar. O pai, que completa mais um ano de vida hoje, sempre acompanhava o filho. "Ele fazia o treino todos os dias, inclusive às vezes o pai levava quando tinha o campeonato. O mais triste de tudo isso é que hoje o pai dele faz aniversário. Então isso não é um presente que um pai gostaria de ter, né?", disse, muito emocionada, Regina Marçal, 56 anos, tia do jovem. 
O rapaz era torcedor do Flamengo e no Olaria atuava como ala e fixo. Os jogos do clube da Zona Norte que seriam realizados hoje, tanto do sub-20 quanto do profissional, serão adiados por conta da morte de Gabriel.

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Gabriel era atleta do futsal do Olaria Atlético Clube Arquivo Pessoal
Gabriel, morto por bala perdida na Tijuca, era jogador de futsal no Olaria Reprodução Facebook
Gabriel Pereira Alves, de 18 anos, morreu atingido por um tiro no peito enquanto esperava um ônibus perto do Borel para ir para o colégio Divulgação
Gaúcho, vice-presidente do Olaria, disse que Gabriel era um atleta exemplar, promissor e já era negociada a sua transição para o futebol de campo. Recentemente, ele foi campeão junto com o time sub-20 no Campeonato Estadual de Futsal, em cima do Madureira.
"Vamos suspender a rodada de hoje. A base do Olaria vai jogar fora e estamos providenciando junto ao adversário um minuto de silêncio em sua homenagem. Não temos palavras para expressar a dor, perdemos um grande atleta. Infelizmente, não estamos livres disso, perdemos vida de crianças e adultos com essa violência e ninguém toma providência", disse o dirigente.
Em nota, a Federação de Futebol de Salão do Estado do Rio de Janeiro (FFSERJ) lamentou a morte de Gabriel. "A FFSERJ lamenta intensamente esta fatalidade e neste momento de perda e dor, transmite os sentimentos aos familiares, amigos e colegas", diz o texto. 
Regina falou que a família foi destruída pela tragédia. "A gente vê as estatísticas aí fora de coisas acontecendo com outras famílias e a gente não acredita que vai acontecer com a nossa família. Ele era um dos amores da nossa vida, assim como os outros irmãos. Minha irmã está arrasada, isso acabou com a nossa família", lamentou.  
"Gabriel é um menino de ouro, aquele que nunca se envolveu com nada de errado, sempre trouxe alegria para a família, que tinha sonhos. Treinou aqui no Montanha (clube da Usina), participou de vários campeonatos. Era o sonho dele desde sempre jogar futebol, desde pequeninho", explicou a tia.
Moradores e familiares realizam uma manifestação pacífica na Rua Conde de Bonfim, em frente ao ponto de ônibus onde Gabriel foi baleado. Uma tia do estudante desmaiou durante o protesto. A via é interditada de forma intermitente a todo momento por pessoas com cartazes que pedem justiça. A Polícia Militar está no local.
Moradores do Borel e familiares fazem uma manifestação em frente ao local onde Gabriel foi baleado, na Rua Conde de Bonfim , na Tijuca - Estefan Radovicz / Agência O DIA
Agentes da Delegacia de Homicídios (DH-Capital) realizaram uma perícia na base da UPP onde os policiais foram atacados e chegaram às 11h50 no Hospital São Francisco da Providência de Deus, onde Gabriel chegou sem vida. Testemunhas estão sendo ouvidas e diligências são realizadas para apurar as circunstâncias da morte.
De acordo com o delegado Rodrigo Brand, da DH-Capital, uma perícia preliminar no corpo do rapaz constatou que, provavelmente, o tiro foi disparado de uma distância longa e que o projétil tinha pouca força quando atingiu Gabriel, ficando alojada em seu peito. Duas testemunhas já foram ouvidas, que eram as amigas que estavam com ele.
"Os policiais da DH fizeram a perícia também na base da UPP e comprovaram que ela foi realmente atacada", falou. Após a perícia, o corpo foi liberado pela polícia e será encaminhado para o Instituto Médico Legal (IML), no Centro do Rio. O veículo que fará a remoção chegou ao hospital às 12h30.
A família do jovem e moradores dizem que houve uma operação policial no fim da madrugada no Morro do Borel, mas a PM nega. Segundo a corporação, os criminosos dispararam de cinco a dez tiros em direção à base da da UPP na Chácara do Céu, mas conta que não houve revide e nenhum policial ficou ferido. O policiamento foi reforçado após o ataque.
Gabriel estava com uma amiga no ponto de ônibus quando começaram os tiros. "Na hora que foram abaixar para se esconder dos tiros, ele já colocou a mão no peito. Ela achou que ele estivesse brincando, pediu para ele parar, mas ele disse que era sério e caiu", contou Natanna Souza, 29 anos, prima do jovem. O pai do rapaz faz aniversário nesta sexta-feira.

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