'Lavínia acordava cedo, beijava meu esposo e vinha até mim', diz mãe de criança morta

O bebê de 1 anos e três meses morreu num acidente após carro da família ser atingido por veículos de criminosos que fugiam de uma perseguição policial em Caxias

Por RAFAEL NASCIMENTO

Lavina tinha completado 1 e três meses na quarta-feira. A bebê já chegou sem vida ao hospital
Lavina tinha completado 1 e três meses na quarta-feira. A bebê já chegou sem vida ao hospital -
Rio - Segurando a bolsinha que a filha sempre usava e uma pequena blusa, a mãe, o pai e dois irmãos da pequena Lavínia Gomes Esteves, de apenas 1 anos e três meses - completados ontem -, chegaram ao Instituto Médico Legal (IML) de Duque de Caxias, na Baixada Fluminense, na manhã desta quinta-feira, para liberar o corpo da criança.
O bebê morreu num acidente após carro da família ser atingido por veículos de criminosos que fugiam de uma perseguição policial na noite desta quarta-feira na Rodovia Washington Luiz, na altura da Reduc, em Caxias.
Lavínia chegou a ser levada para o Hospital Adão Pereira Nunes, também em Caxias. Por telefone, a Secretaria Estadual de Saúde (SES) disse que a criança deu entrada sem vida no hospital. No veículo, havia outras seis pessoas. Raísa Santos e Lúcia Luiz ficaram feridas e já tiveram alta.
No IML, a mãe da pequena, a subgerente Patrícia dos Santos Gomes Esteves, de 36 anos, estava muito emocionada. Ela contou que a filha estava com a babá e que ambas voltavam do mercado quando bateram no carro em que elas estavam.
“A Lavínia acordava cedo, beijava meu esposo, depois vinha até mim. Ela era uma criança tranquila. Não acabou com a nossa família. A vida não acabou. Deus vai nos dar forças para criarmos os outros filhos", disse a mãe de Lavínia.
Segundo Patrícia, a família já havia sido vítima da violência que assola a cidade quando foram assaltados. No entanto, os criminosos só levaram os pertences. “Foi uma fatalidade. Já havíamos passado por uma situação difícil em relação a assalto e não aconteceu nada. Deus sabe o que faz e sabe de todas as coisas”, contou ela.
Durante a noite, a Polícia Civil fez uma perícia no local. Até agora nenhum dos suspeitos foram encontrados. Quem tiver qualquer informação que leve a prisão dos suspeitos pode ligar pra o Disque-Denúncia através do número (21) 2253.1177.

“Esse é o retrato do Rio", diz pai

Pai de Lavínia, Leonardo Esteve era o retrato do desespero e desolação na porta do IML. Durante todo o tempo o homem foi consolado — com afagos e carinho no rosto — pela filha do meio, a pequena Larissa, de 8 anos. O marmoreiro não conseguia expressar a dor que é de perder um filho. Em um raro momento sem chorar o homem disse. “Esse é o retrato do Rio de Janeiro. A gente está refém dessa violência”, disse.

O velório será na manhã de sexta-feira no Cemitério da Taquara, em Santa Cruz da Serra, em Caxias.

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