Funcionário a serviço da prefeitura morre atropelado por trem em ação contra lava jatos ilegais

André Paes de Albuquerque, 43 anos, que era terceirizado da Prefeitura do Rio, recolhia uma mangueira nos trilhos na região da Leopoldo Bulhões quando foi atingido pelo trem e morreu na hora. SuperVia diz que não foi comunicada da operação da Seop

Por Adriano Araujo e Bruna Fantti

Colega de funcionário terceirizado da Prefeitura do Rio morto atropelado por trem se desespera
Colega de funcionário terceirizado da Prefeitura do Rio morto atropelado por trem se desespera -
Rio - Um funcionário terceirizado da Prefeitura do Rio morreu atropelado por um trem da SuperVia enquanto atuava  em uma operação para retirar lava jatos clandestinos na região da Rua Leopoldo Bulhões, em Benfica, na Zona Norte do Rio, na manhã desta sexta-feira, dia 16. A ação coordenada pela Secretaria Municipal de Ordem Pública (Seop) acontecia às margens da linha férrea e a vítima, identificada como André Paes de Albuquerque, 43 anos, retirava uma mangueira dos trilhos quando foi atingida por um trem que circulava mesmo com a ação no local. O funcionário morreu na hora e a operação da Seop foi suspensa. 
A operação da Prefeitura começou por volta das 8h30. Na chegada das equipes ao local, homens que trabalhavam ilegalmente nos lava jatos atiraram pedras contra as cerca de 10 equipes da Seop, que tinham apoio da Cedae e da Guarda Municipal. Nesse momento, agentes da Guarda Municipal revidaram com bombas de efeito moral e o grupo se dissipou, tentando fechar a via. Apesar do tumulto às margens dos trilhos dos trens, a circulação não foi interrompida, conforme constatou a reportagem. 

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Na foto, mangueira pendurada que funcionário terceirizado da prefeitura tentava tirar dos trilhos quando foi atingido por trem Bruna Fantti / Agência O DIA
Pessoas que trabalhariam nos lava jatos clandestinos atiraram pedras e outros objetos nas equipes que faziam a operação Reginaldo Pimenta / Agência O Dia
Guarda Municipal chegou a lançar bombas de efeito moral para dispersar ataques das pessoas que trabalhavam ilegalmente no local Reginaldo Pimenta / Agência O Dia
Pessoas que trabalhariam ilegalmente na região atiraram pedras e outros objetos nas equipes que faziam a operação Reginaldo Pimenta / Agência O Dia
Policia Militar participa de ação para reprimir lava jato irregular na Avenida Leopoldo Bulhões Reginaldo Pimenta / Agência O Dia
Guarda Municipal chegou a lançar bombas de efeito moral para dispersar ataques das pessoas que trabalhavam ilegalmente no local Reginaldo Pimenta / Agência O Dia
Guarda Municipal chegou a lançar bombas de efeito moral para dispersar ataques das pessoas que trabalhavam ilegalmente no local Reginaldo Pimenta / Agência O Dia
Guarda Municipal chegou a lançar bombas de efeito moral para dispersar ataques das pessoas que trabalhavam ilegalmente no local Reginaldo Pimenta / Agência O Dia
Funcionário terceirizado da prefeitura do Rio morreu atropelado por trem em operação contra lava jatos clandestinos Bruna Fantti / Agência O DIA
Após o confronto, equipes da prefeitura começaram a retirar mangueiras e entulhos do local onde se localizava o primeiro ponto de lava jatos. Foi nesse momento que o funcionário terceirizado acessou a linha férrea para remover uma mangueira ligada clandestinamente a um ponto de água e atravessada nos trilhos. Nesse momento, pedras foram arremessadas e André Paes tentou se abrigar, sendo atingido pelo trem, no rosto. O Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu) foi chamado para o local, mas André morreu na hora. 
"Falei para ele: sai da linha do trem, estão dando tiro, estão jogando pedra. Mas ele insistiu em puxar uma mangueira de água. Aconteceu isso, foi atropelado", afirmou um amigo de trabalho. Ele trabalhava há dois anos para a empresa Globo Terraplanagem, terceirizada da Prefeitura do Rio. 
Policiais do 22º BPM (Benfica) apoiaram os órgãos da Prefeitura do Rio na Avenida Leopoldo Bulhões, inclusive com blindados. Entretanto, o mesmo não foi feito por militares da Unidade de Polícia Pacificadora (UPP) Manguinhos, que deveriam atuar dentro da comunidade para conter manifestações contra a ação de ordenamento na região, conforme acordado no último dia 9 na reunião que planejou a operação na sala de crise do Centro de Operações da Prefeitura do Rio. Procurada, a PM ainda não se pronunciou.
Procurada, a SuperVia  informou que não foi comunicada e nem recebeu pedido de autorização para a operação da Secretaria de Ordem Pública nos trilhos e, por isso, não suspendeu a circulação de trens. "A SuperVia lamenta o caso e reforça que, por medida de segurança, qualquer acesso à via férrea deve ser previamente comunicado à concessionária. Sempre que funcionários de outros órgãos precisam realizar serviços no sistema, eles são treinados pela área de Segurança de Tráfego da SuperVia. Tais medidas são fundamentais para a prevenção de acidentes", diz em nota.
Após o acidente, a SuperVia disse que acionou o Grupamento de Policiamento Ferroviário (GPFer) e os trens do ramal Saracuruna precisaram aguardar ordem de circulação no trecho, mas os intervalos não foram afetados. O corpo foi removido por volta das 12h40 após perícia e a operação dos trens foi normalizada. 
Questionada se comunicou à empresa de trens, a Seop também não se pronunciou. Em nota, a pasta lamentou a morte. "A Secretaria Municipal de Ordem Pública (Seop) suspendeu a operação integrada logo após o acidente e imediatamente acionou o Corpo de Bombeiros. A Prefeitura oferece toda solidariedade e assistência à família da vítima", diz o texto.   
Além de combater os lava jatos irregulares, o objetivo da ação era realizar trabalhos de conservação da área e ordenamento urbano. São usados o local cinco reboques para remoções de estacionamento ilegal — inclusive para automóveis de muito peso, dois caminhões de lixo e uma retroescavadeira da Comlurb.
A Subsecretaria de Operações da Secretaria Municipal de Ordem Pública (Subop) informou que a orientação para as equipes aturem na Avenida Leopoldo Bulhões se restringia à calçada junto ao muro, onde funcionam os pontos de lava a jatos clandestinos. "Não estava prevista nenhuma ação na linha férrea."

A força-tarefa da Seop foi formada por 70 agentes de diversos órgãos: Secretaria Municipal de Conservação (Seconserva), Comlurb, Secretaria Municipal de Assistência Social e Direitos Humanos (SMASDH), RioLuz, Coordenadoria de Fiscalização de Estacionamentos e Reboques (Cfer) da Seop e Superintendência de Ramos. Também atuam fiscais da Coordenadoria de Controle Urbano, vinculada à Secretaria Municipal de Fazenda e técnicos da Light e da Cedae.
Operação da Seop com apoio de outros órgãos reprime lava jatos clandestinos e busca reordenar região da Rua Leopoldo Bulhões - Reginaldo Pimenta / Agência O Dia
A Subsecretaria de Operações da Secretaria Municipal de Ordem Pública (Subop) informa que, como em todas as ações feitas no local, a orientação para as equipes aturem na Avenida Leopoldo Bulhões se restringia à calçada junto ao muro, onde funcionam os pontos de lava a jatos clandestinos. Não estava prevista nenhuma ação na linha férrea.

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