Witzel diz que grupos de direitos humanos são responsáveis por mortes inocentes

Governador também duvidou da autenticidade das 1.500 cartas escritas por crianças que contam, através de desenhos e relatos, como os moradores de comunidades são abordados pela polícia

Por Bernadete Travassos

O governador Wilson Witzel ameaçou investigar se as 1500 cartas da Maré entregues à Justiça, como as que têm os dois desenhos acima, foram feitas por traficantes ou por crianças
O governador Wilson Witzel ameaçou investigar se as 1500 cartas da Maré entregues à Justiça, como as que têm os dois desenhos acima, foram feitas por traficantes ou por crianças -
Rio - Ao final do lançamento da operação Segurança Presente em Nova Iguaçu, hoje, o governador Wilson Witzel criticou a atuação dos grupos que lutam pelos direitos humanos, os chamou de ‘pseudodefensores’ dos direitos humanos e creditou as cinco mortes de jovens em comunidades na última semana aos militantes da área.

“Esses pseudodefensores de direitos humanos não querem que a polícia mate quem está de fuzil. Porque se não mata quem está de fuzil, quem morre são os inocentes. Os cadáveres desses jovens não estão no meu colo, estão no colo de vocês, que não deixam os policiais fazerem o trabalho que tem que ser feito”, acusou o governador Witzel.

Ele também duvidou da autenticidade das 1.500 cartas escritas por crianças que contam, através de desenhos e relatos, como os moradores de comunidades são abordados pela polícia, as pessoas que morrem alvejadas, os caveirões que invadem as favelas e os helicópteros que sobrevoam os locais agora com atiradores de elite.

“ Eu vou investigar se os desenhos foram realmente feitos por crianças ou por traficantes da região. Tive expressiva votação em comunidades que não querem mais conviver com o tráfico”, alegou Wilson Witzel. A ONG Redes da Maré entregou essas cartas ao Tribunal de Justiça do Rio de Janeiro na segunda-feira passada e o presidente do Tribunal, Cláudio de Melo Tavares, também colocou em dúvida a autenticidade delas.

“O ruim das operações nas favelas é porque não dá para brincar muito. Também fica morrendo muitos moradores nas comunidades e também tem muita violência”, escreveu um estudante em uma das cartas. “O caveirão quando entra aqui é para nos matar. Ele não entra aqui para fazer uma simples intervenção. O Estado mata sonhos, mata vidas, mata o futuro de pessoas que um dia poderiam estar no lugar da senhora juíza”, relatou um dos moradores falando diretamente à juíza Regina Lúcia Chuquer, da 6a Vara da Fazenda Pública da Capital.

Depois do evento, o técnico de enfermagem Fabrício Vidal, 31 anos, fez uma manifestação ao lado do alambrado onde passava o governador. Há dois anos desempregado, ele disse que o governador surfa na onda neofacista e não é matando as pessoas que os problemas serão resolvidos.

Segurança Presente

A Operação Segurança Presente é responsável por 1.527 prisões no período de janeiro até esta semana, com o cumprimento de 948 mandados de prisão (captura de foragidos da Justiça) e 20.685 atendimentos sociais.

As próximas inaugurações serão: nos bairros de Laranjeiras e Bangu, em setembro, em Botafogo e Austin, em Nova Iguaçu, em outubro; em Duque de Caxias e Barra da Tijuca, em novembro, e em Miguel Couto, em Nova Iguaçu, Vila Isabel e Grajaú, em dezembro.

O serviço já funcionava nos bairros da Lapa, Centro, Aterro do Flamengo, Lagoa, Ipanema, Leblon, Tijuca, Méier, Copacabana e em Niterói, estes dois últimos por convênio com as respectivas prefeituras.
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