ele partiu para o ataque

O vereador Carlos Bolsonaro pediu licença para cuidar do pai e acabou arranjando confusão nas redes sociais. Tuíte em que questiona democracia gerou críticas até no governo federal

Por Maria Luisa de Melo

Se ficar afastado por mais de 120 dias da Câmara Municipal, o vereador Carlos Bolsonaro será substituído pelo suplente, aponta o artigo 11 do regimento interno da Casa
Se ficar afastado por mais de 120 dias da Câmara Municipal, o vereador Carlos Bolsonaro será substituído pelo suplente, aponta o artigo 11 do regimento interno da Casa -

Carlos Bolsonaro (PSC) pediu, ontem, nova licença sem rendimentos da Câmara de Vereadores do Rio. Desta vez, para acompanhar o pai, que se recupera de cirurgia em São Paulo. E o filho 02 do presidente Jair Bolsonaro (PSL) está aproveitando o tempo de afastamento das atividades no Palácio Pedro Ernesto para polemizar nas redes sociais.

Uma postagem de Carlos feita na segunda-feira à noite no Twitter com questionamento à democracia despertou reações negativas até mesmo no governo federal. "Por vias democráticas a transformação que o Brasil quer não acontecerá na velocidade que almejamos", tuitou o 02.

Após a repercussão negativa da declaração, ele voltou ontem às redes sociais para tentar se defender. "Por vias democráticas as coisas não mudam rapidamente", justificou-se. Em seguida, passou a atacar os veículos de comunicação. "O que jornalistas espalham: Carlos Bolsonaro defende a ditadura. Canalhas!", tuitou. Ontem à noite, fez mais um ataque voltado aos seus críticos. "Seus lixos, sabemos qual o intuito de vocês e o que querem. Não tenho medo algum diante de mais uma investida desonesta vindo de quem vem! Não transformarão o Brasil numa Venezuela!".

NÃO SAI DO CELULAR

A postura não surpreende seus colegas na Câmara. Carlos Bolsonaro é conhecido por dividir a sua atenção entre as sessões e o seu smartphone. Os registros no site da Câmara atestam isso. Neste ano, Carlos apresentou apenas um projeto de lei, em documento assinado com outros cinco vereadores. A maioria das 23 indicações legislativas foi para podas de árvore.

Para os colegas, Carlos coloca as discussões que envolvem o governo federal à frente das suas atribuições na Câmara do Rio e interage pouco com os outros vereadores. "Ele sempre se incomodou muito com a resistência ao governo do pai dele", analisou o vereador Alexandre Isquierdo (DEM).

O vereador Reimont (PT) endossou as críticas às últimas postagens nas redes sociais: "O governo bolsonarista tem rompido com o pacto democrático. A declaração de Carlos soou como uma apologia à ditadura".

Segundo o artigo 11 do regimento interno da Câmara Municipal do Rio, Carlos Bolsonaro só será substituído pelo suplente se ficar de licença por mais de 120 dias, ou seja, em janeiro de 2020, último ano da atual legislatura.

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