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Família contesta versão da PM sobre morte de Agatha: 'Não houve confronto'

Moradora do Alemão foi a quinta criança vítima de bala perdida este ano ao ser atingida por tiro de fuzil

Por ALINE CAVALCANTE e LUIZ FRANCO*

Criança protesta: 'Não me mate polícia'
Criança protesta: 'Não me mate polícia' -

Rio - Uma criança inteligente, carinhosa, com futuro brilhante pela frente. Assim, Agatha Vitória Sales Félix, de apenas 8 anos, era considerada pela família. A menina teve os sonhos interrompidos ao ser |atingida nas costas por um tiro de fuzil, na Fazendinha, no Complexo do Alemão sexta-feira à noite. Ela chegou a ser socorrida, mas não resistiu aos ferimentos e morreu. Só em 2019, outras quatro crianças foram mortas por bala perdida no Rio (quadro ao lado).

Agatha foi baleada no colo da mãe em uma kombi. Segundo testemunhas, ela teria sido atingida por disparos feitos por PMs da UPP Fazendinha, que tentavam atingir moto suspeita. A PM informou que agentes estavam na esquina da Rua Antônio Austragésilo com a Rua Nossa Senhora quando foram atacados por criminosos e revidaram. A versão é contestada pela família da menina. "Não houve confronto. Foi apenas um tiro que atingiu minha sobrinha", garante o tio, Elias Cesar, 36.

A PM informou que abrirá procedimento para apurar o fato. A Polícia Civil divulgou que fará reprodução simulada do assassinato, que deve acontecer durante a semana. O objetivo é que a família participe.

MANIFESTAÇÃO

Ontem pela manhã, moradores do Complexo do Alemão fizeram manifestação na Grota, seguindo por ruas da comunidade. Pessoas de outras áreas vítimas da violência se juntaram ao protesto.

"Quero dizer pra esses policiais, que estão ao alcance da nossa voz: pense nos filhos de vocês, antes de fazer uma covardia dessas. Vocês têm família, têm mãe, têm filho. Não houve troca de tiros, não. Por favor, respeitem o nosso direito de ir e vir. Aqui é comunidade em que moram pessoas de bem", suplicou uma moradora. Em uma faixa estava escrito: 'Parem de nos matar'.

Thais Cristine, tia de Agatha, relatou uma rotina de pânico na comunidade. "Temos muito medo dos tiroteios e das ações da polícia. A Vanessa (mãe da criança) tinha este receio, ela é uma mãe muito protetora", contou.

Além do protesto, internautas fizeram em tuitaço cobrando mais segurança nas comunidades do Rio.

A Defensoria Pública se solidarizou com a família de Agatha. O presidente da Ong Rio de Paz, o pastor Antônio Carlos, também se pronunciou. "A contagem de vítimas de balas perdidas no Rio não dá trégua", criticou.

A Comissão de Direitos Humanos da OAB-RJ se colocou à disposição da família. Rodrigo Mondego, membro da comissão, afirmou que acompanhará o caso. "Vamos auxiliar as testemunhas, a mãe da criança e o motorista da kombi viram de onde partiu o tiro, vamos atuar junto à Defensoria Pública", declarou.

Segundo familiares, o corpo da menina será liberado hoje pelo IML. Ainda não há informações sobre local e horário do enterro.

* Estagiário sob a supervisão de Rai Aquino

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Rio de Janeiro - 21/09/2019 - Familiares da pequena Agatha Félix no IML. Foto: Luciano Belford/Agencia O Dia Luciano Belford/Agência O Dia

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