'Mesmo no chão, o PM atirou no ouvido dele', diz namorada de policial morto durante briga em bar de Nova Iguaçu

Autor do crime segue internado sob custódia. Uma terceira pessoa que estava no local foi atingida por bala perdida

Por Natasha Amaral

Jefferson Luiz Gonçalves
Jefferson Luiz Gonçalves -
Rio - A namorada do soldado Jefferson Luiz Gonçalves, 39, morto a tiros durante uma briga de bar com outro PM, na noite desta sexta-feira, no bairro Luz, em Nova Iguaçu, na Baixada Fluminense, diz que o agressor aproveitou que o militar estava no chão e disparou no ouvido da vítima. A discussão aconteceu entre o soldado Jefferson Luiz Gonçalves, que morreu no local, e o soldado Emanuel Alisson de Albuquerque, que foi baleado no braço esquerdo, foi socorrido ao Hospital da Posse e está preso. Os dois estavam de folga.
"Aquele homem, já com o Jefferson no chão, efetuou um disparo no ouvido dele e queria dar mais. Eu segurei a mão dele e ele me puxou arrancando minha blusa no meio do bar", diz Fernanda Lacerda, namorada da vítima.
A confusão aconteceu pouco antes das 20h, em um bar que fica próximo à Universidade Iguaçu (Unig), na Rua Antenor de Moura Raunheitti. No primeiro momento, foi divulgado que a discussão teria começado após Jefferson, que era lotado no 20º BPM (Mesquita), conversar com a namorada do soldado Emanuel, da UPP São João. No entanto, Fernanda contesta essa versão.
"O Jefferson estava comigo e, na verdade, eu quem fui assediada. Nós fomos ao banheiro e quando eu saí meu namorado entrou. Tinha alguns caras na frente e me ofereceram cerveja. Eu neguei e falei que o copo era do Jefferson. Ele ouviu do banheiro e assim que saiu foi tirar satisfação", contou.
Ainda segundo Fernanda, os militares entraram em discussão e sacaram as armas. "Ele virou para ele (Emanuel) e falou: 'poxa, você tá oferecendo bebida pra minha mulher?' e o Emanuel confirmou: 'estou sim, e daí?'. Eles sacaram a arma, mas eu entrei na frente. O Emanuel passou por cima de mim e começaram os tiros. O Jefferson caiu no chão e, quando eu tentei socorrer, ele veio por cima e acertou no ouvido dele".
"Eu não posso deixar a memória dele manchada assim. Fomos namorados há 13 anos e nos reencontramos há 3. Ele dizia que eu era o amor da vida dele e ele era o da minha. Morreu nos meus braços como disse que queria. Ele fazia tudo por mim. Estava fazendo faculdade porque eu queria muito. Eu me formei e ele me acompanhou. Tô despedaçada. Eu perdi o meu amor, o homem da minha vida", desabafou Fernanda.
Adauto Santos Neves, de 32 anos, não estava envolvido na na discussão, mas foi baleado nas nádegas e na mão esquerda. Assim como o soldado Albuquerque, ele foi socorrido no Hospital Geral de Nova Iguaçu (Posse). De acordo com a prefeitura do município, ambos estão com o quadro de saúde estável.

Em nota, a Polícia Militar informou que "policiais do 20º BPM (Mesquita) foram acionados na noite desta sexta-feira para a Rua Batista, no bairro da Luz, para atender uma ocorrência de disparo de arma de fogo. No local, encontraram um militar ferido e foram informados que outro policial estava morto dentro de um bar. Segundo testemunhas, houve um desentendimento entre ambos, que culminou na morte de um deles. Um homem também ficou ferido e foi socorrido ao Hospital Geral de Nova Iguaçu". Já a Polícia Civil disse que "perícia já foi acionada e testemunhas serão ouvidas. Diligências estão sendo realizadas e a ocorrência está em andamento".

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