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Sargento da PM é preso suspeito de liderar quadrilha de furto de combustível

Organização criminosa foi responsável por vazamento de gasolina que provocou a morte da Ana Cristina Pacheco em Caxias

Por Thuany Dossares

O PM Elton Batista da Silva
O PM Elton Batista da Silva -
Rio - A Delegacia de Defesa dos Serviços Delegados (DDSD) realizou, nesta terça-feira, a Operação Graciosa III para desarticular uma quadrilha que furta dutos de petróleo e derivados, em Duque de Caxias, na Baixada Fluminense. A ação tinha o objetivo de cumprir cinco mandados de prisão temporária e entre os presos está um sargento da Polícia Militar.

De acordo com as investigações, o sargento da PM Elton Batista da Silva era um dos líderes da organização criminosa. O delegado Júlio da Silva Filho, titular da especializada, explicou que o militar era o responsável por recrutar pessoas para participar do grupo. Fabio Correa, promotor do Grupo de Atuação Especial de Repressão ao Crime Organizado do Ministério Público estadual (Gaeco/MPRJ), disse que a suspeita é de que o sargento atuasse não apenas como um dos líderes, mas também como o braço armado da organização.  

O mandado de prisão contra Elton foi cumprido enquanto ele estava na unidade onde é lotado, o Batalhão de Policiamento em Áreas Turísticas (BPTur). A Polícia Civil ainda apura se o sargento também integrava uma milícia que atua em Xerém.

Ainda segundo a DDSD, o PM contratou o próprio enteado, que também foi preso, para cavar dutos para a derivação clandestina dos combustíveis.

Segundo a Polícia Civil, o grupo foi responsável por um imenso vazamento de gasolina, que provocou a morte de uma menina identificada como Ana Cristina Pacheco, de apenas nove anos, no bairro de Capivari. A criança teve 80% do corpo queimado ao cair numa poça de gasolina quente no dia 26 de abril e morreu cerca de um mês depois. O derramamento do combustível teria acontecido durante uma tentativa de subtrair derivados de petróleo diretamente dos dutos da Petrobras.
Da esquerda para a direita: Ricardo Jorge Alves da Silva, José Rodrigo Galo de Farias e Wesley Muniz Polette - Divulgação / Polícia Civil


OUTRAS PRISÕES

As investigações da Delegacia de Defesa dos Serviços Delegados também apontaram que Ricardo Jorge Alves da Silva, Ricardo Porcalha, era outra liderança da organização criminosa junto com o sargento Elton. Ele também seria integrante da milícia que atua em Xerém.

A polícia descobriu ainda que um dos principais receptadores da gasolina furtada era o empresário José Rodrigo Galo de Farias, de Teresópolis, na Região Serrana. O suspeito é proprietário de dois postos de combustíveis na cidade.

Os dois homens foram presos durante a ação desta terça. Durante as diligências, a polícia ainda constatou que que nos postos de José Rodrigo havia uma irregularidade conhecida como "bomba baixa", realizada para abastecer o combustível em quantidade menor do que a paga pelo cliente.

Um homem identificado como Wesley Muniz Polette também é apontado como integrante do grupo e encontra-se foragido. Celulares foram apreendidos e a Polícia Civil irá pedir à justiça a quebra do sigilo telefônico dos aparelhos.

A ação da Polícia Civil recebeu o apoio do Ministério Público, da Polícia Militar (3ª DPJM), da Secretaria de Estado da Fazenda, da Agência Nacional de Petróleo, da Petrobras Transportes S/A e do Instituto de Pesos e Medidas. A operação Graciosa III tinha o objetivo de cumprir cinco mandados de prisão temporária e nove mandados de busca e apreensão.
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Da esquerda para a direita: Ricardo Jorge Alves da Silva, José Rodrigo Galo de Farias e Wesley Muniz Polette Divulgação / Polícia Civil

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