Após anúncio de aplicativo, internautas passaram a compartilhar foto de Dilma Rousseff e Lula - Reprodução
Após anúncio de aplicativo, internautas passaram a compartilhar foto de Dilma Rousseff e LulaReprodução
Por GUSTAVO RIBEIRO
Rio - Nunca foi tão fácil unir destinos escritos nas estrelas. Se depender do PTinder, aplicativo de namoro em fase de criação, inspirado no nome do Partido dos Trabalhadores (PT) — que carrega uma estrela como símbolo —, futuros pombinhos não vão precisar mais brigar por política no cinema, no jantar ou na mesa de bar. A novidade pretende unir casais de ideologia de esquerda e é um novo nicho no mercado tecnológico, que já tinha grupo de paquera destinado a simpatizantes da direita.

Anunciado na segunda-feira pela advogada Maria Goretti Nagime e pela filósofa Elika Takimoto, através do Twitter, o aplicativo nem foi lançado e já gerou repercussão nas redes, entre internautas que aprovaram, zoações e críticas.

“Agora sim... com o PTinder não corro risco de, num café ou algo mais, descobrir que a pessoa é bolsominion”, vibrou uma internauta. “Acredito que o que fará sucesso no PTinder será o beijo roubado”, alfinetou outra. Alguns usuários criticaram a iniciativa, por fazer trocadilho com o PT, ignorando outras legendas de esquerda.

Para responder, Elika Takimoto provocou no Twitter: “Gente, se não gostou da ideia do PTinder, só criar o Ciro-tinder, o Tábata-tinder, o gado-tinder, o bozo-tinder, o isentão-tinder, o terraplanista-tinder... Vão se amar também e parem de encher nosso saco, porque aqui vamos dar muito marx!”, postou ela, fazendo alusão ao nome do pensador socialista Karl Marx com o ‘match’ (recurso do app de paquera Tinder que une duas pessoas).

Segundo ela, o aplicativo será voltado para pessoas solteiras “ou em um relacionamento aberto ou confuso”. “Fizemos uma plataforma para facilitar o amor entre os homens, entre as mulheres e entre homens e mulheres. PT-inder. Porque o nosso coração é vermelho. Nos aguarde!”, emendou Elika Takimoto, no microblog.

No Twitter de Maria Goretti, já há uma sugestão para “paquerar meninas de esquerda” fixada em seu perfil: “Paquerar meninas de esquerda: Oi, gata. Tudo Glenn? Tá mais sumida que o Queiroz. Seu nome é kit gay? Pq você não existe. Você não é 39kg de coca, mas você caiu do céu. Por você eu fico cego como um bolsominion”, brincou a advogada.

Em entrevista à coluna da jornalista Mônica Bergamo, da ‘Folha de S. Paulo’, Maria revelou que a ideia surgiu depois de um amigo ter se frustrado por levar um fora. Ela resolveu ajudá-lo, divulgando uma foto dele em suas redes, ressaltando que era advogado, diretor de escola técnica, bom papo e “de esquerda”. “Por incrível que pareça, foi o que mais atraiu as mulheres”, contou a advogada à publicação.

A coluna informou que o cupido digital vai começar com página no Instagram antes de ser lançado o aplicativo. A data do lançamento não foi divulgada.

Cupidos para todos os gostos na internet
Um grupo fechado no Facebook, com mais de 6 mil membros, foi criado há dez meses e só aceita eleitores solteiros de Jair Bolsonaro (PSL). É o ‘Bolsolteiros’, apresentado com uma imagem do presidente como Santo Antônio, o santo casamenteiro. Há regras. Os usuários não podem falar sobre política, religião e futebol; não podem mandar links de grupos de WhatsApp, nem publicar nudes ou seminudes. “O grupo é bem animado e respeitoso. Serve para possibilitar relações de amizade ou namoro entre eleitores”, explicou Cristiane Cusatis, administradora do ‘Bolsolteiros’.

Opções para encontrar o par perfeito não faltam no mundo virtual. Tem site de relacionamento até para pessoas comprometidas... pularem a cerca. Um dos serviços mais famosos no mundo para facilitar a traição é o site Ashley Madison, superpopular no Brasil — que chegou a ser o segundo no país com mais usuários. Já o ‘Amor em Cristo’ é um site de relacionamentos e amizades para evangélicos.