Caça-níqueis, jogo do bicho e lucro de R$ 200 mil por dia em disputa na família Garcia

Espólio do bicheiro Waldomiro Garcia, o Maninho, colocou ex-cunhado e tio contra Shanna

Por Bruna Fantti

Filha do bicheiro Maninho foi baleada na manhã de terça: ela foi seguida por bandidos por uma semana
Filha do bicheiro Maninho foi baleada na manhã de terça: ela foi seguida por bandidos por uma semana -

Rio - Os constantes desentendimentos dentro da família Garcia, pelo espólio do bicheiro Waldomiro Paes Garcia, estão sendo analisados como uma das possibilidades para o atentado de Shanna Harrouche Garcia, de 34 anos, uma de suas filhas. A empresária foi atingida por disparos na manhã de terça-feira e se recupera em um hospital particular. O caso passou para a Delegacia de Homicídios.

Em uma das brigas, citadas por Shanna em depoimento à Draco (Delegacia de Repressão às Ações Crimonosas Organizadas), em 2016, ela diz que teria recebido uma ameaça do ex-cunhado, Bernardo Bello Barboza. Bernardo, segundo informações da especializada, seria o administrador das cerca de 14 mil máquinas caça-níqueis e 10 mil pontos de jogo do bicho que teriam um lucro de até R$ 200 mil por dia, na região Central e Zona Sul do Rio.

A Polícia Federal já citou em investigações que contraventores utilizam fazendas e imóveis para lavar o dinheiro das atividades ilícitas. De acordo com informações obtidas pelo Dia, o Haras Garcia, em Macaé, do qual Shanna possui 68% da sociedade, tem rendimentos mensais de até R$ 2,4 milhões.

Uma outra desavença envolvendo o nome de Shanna ocorreu com o tio Alcebíades Paes Garcia, o Bide, e terminou com a sociedade que ambos possuíam em um restaurante na Rua Pacheco Leão, no Jardim Botânico. Bide afirmou que Shanna o ameaçou e ainda apontou que a sobrinha tinha sido mandante da morte do pecuarista Rogério Mesquita, em 2008. Mesquita, que administrava o Haras da família, foi morto em 2009, um dia depois de ter procurado a Delegacia de Homicídios para dizer que estava sendo seguido.

O ex-capitão do Bope Adriano Nóbrega, que é apontado como matador de aluguel e integrante do Escritório do Crime (grupo envolvido na morte da vereadora Marielle Franco) é suspeito do assassinato de Mesquita, tendo inclusive já respondido pela tentativa de homicídio anterior ao pecuarista. Adriano atuava como chefe de segurança de Shanna. A partir de denúncia do Ministério Público, Shanna foi ao banco dos réus como a mandante do atentado. A Justiça a absolveu.

Também teria participado deste crime, segundo informações dos promotores, o então tenente João Martins. Ele foi assassinado em 2016, na Ilha do Governador.

Sócio morto em 2011

O Haras Garcia, em Macaé, tinha como outro sócio principal o ex-marido de Shanna, José Luiz Barros Lopes, Zé Personal, com 30% da sociedade. Ele foi morto em 2011, dentro de um Centro Espírita. Após a sua morte, Shanna teria assumido o controle do Haras e vendido até cavalos, sem a autorização dos societários minoritários. A briga terminou na Justiça e um inventariante está responsável pelos bens.

Enquanto isso, a empresária acumula dívidas com a União e seu nome consta na lista de devedores da Procuradoria Geral da Fazenda Nacional com oito dívidas ajuizadas, totalizando R$ 723 mil.
A reportagem não encontrou a defesa de Bernardo Barboza, Alcebíades Garcia e Shanna Harrou

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