PMs foram ouvidos, ontem, como testemunhas de defesa de militares que metralharam carro - Estefan Radovicz
PMs foram ouvidos, ontem, como testemunhas de defesa de militares que metralharam carroEstefan Radovicz
Por Anderson Justino
Rio - A Justiça Militar Federal marcou para os dias 15 e 16 de dezembro os depoimentos dos 12 militares do Exército, acusados pela morte do músico Evaldo Rosa dos Santos, de 46 anos. Ele estava em um carro que foi alvejado com mais de 80 tiros, quando passava com a família em Guadalupe, na Zona Norte do Rio. O crime ocorreu no dia 7 de abril. Na época, os militares disseram ter confundido o veículo com um carro usado por bandidos em uma tentativa de assalto. No incidente, o catador de papel Luciano Macedo também foi baleado e morreu dias depois.

Ontem, quatro policiais militares prestaram declarações no Superior Tribunal Militar (STM), na Ilha do Governador, como testemunhas de defesa: o 1º tenente Rodrigo Lima dos Reis, os cabos Rodrigo da Silva Fernandes e Gabriel Rodrigues Maia e o soldado Bruno dos Santos Cabral, todos do Batalhão de Policiamento em Vias Especiais.

Os policiais contaram que não participaram da operação e que só chegaram ao local após o fato ocorrido. Um dos PMs disse que o cheiro de pólvora era muito forte no local do crime: “Eu vi que tinha uma pessoa sem vida dentro do carro. Um dos militares disse que havia chamado socorro e me pediu para reforçar o pedido”, explicou.

O depoimento dos militares deveria acontecer hoje. Entretanto, como o conselho julgador, formado por um juiz federal e quatro militares do Exército, estava sem um dos oficiais, a defesa pediu o adiamento.

O advogado Paulo Henrique Mello, que defende os 12 réus, disse que seria prejudicial à defesa os testemunhos de seus clientes sem a presença do quarto representante da Justiça Militar. “O Rio se encontra em guerra. Naquele dia, os militares estavam em guerra. Ouvir os réus sem a presença de todos irá prejudicar o direito de defesa”.

O Superior Tribunal Militar (STM) aceitou a denúncia do Ministério Público Militar (MPM) no dia 11 de maio pelos crimes de homicídio qualificado e omissão de socorro, por supostamente não terem prestado assistência às vítimas.