Polícia Civil realiza operação contra grupo que aplicava golpes em servidores públicos

Investigações apontaram que a quadrilha sugeria que as vítimas fizessem empréstimos para aplicar o valor em investimentos fictícios

Por Maria Inez Magalhães e Thuany Dossares

Suspeito de liderar organização criminosa passeava de helicóptero
Suspeito de liderar organização criminosa passeava de helicóptero -
Rio - A Polícia Civil realiza, na manhã desta quinta-feira, uma operação para desarticular uma organização criminosa que aplicava golpe, em servidores públicos, com investimentos fictícios. Suspeito de chefiar o grupo, o empresário Roniel Cardoso dos Santos, foi preso em Jacarepaguá, na Zona Oeste do Rio, pelos crimes de estelionato, contra a ordem econômica e das relações de consumo e lavagem de dinheiro. Nas redes sociais, Roniel ostentava uma vida de luxo.

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Suspeito de aplicar golpes financeiros ostentava viagens internacionais nas redes sociais Reprodução / Instagram
Roniel morava em casa de alto padrão em Jacarepaguá, na Zona Oeste do Rio Divulgação
Montante de dinheiro foi encontrado com Roniel no momento de sua prisão Divulgação
Suspeito de aplicar golpes financeiros ostentava viagens internacionais nas redes sociais Reprodução / Instagram
Suspeito de aplicar golpes financeiros ostentava viagens internacionais nas redes sociais Reprodução / Instagram
Suspeito de liderar organização criminosa passeava de helicóptero Reprodução / Instagram
Roniel ostentava carro de luxo Reprodução / Instagram
Suspeito de liderar organização criminosa passeava de jet ski Reprodução / Instagram


De acordo com as investigações do Departamento Geral de Combate à Corrupção, ao Crime Organizado e à Lavagem de Dinheiro (DGCOR-LD), a quadrilha captava servidores públicos e outras vítimas para que estes fizessem empréstimos consignados e aplicassem o valor em investimentos. No entanto, essas aplicações eram falsas, com a promessa de ganhos exagerados e incompatíveis com a realidade do mercado. A quadrilha pagava às vítimas pequenos lucros do suposto investimento nos primeiros meses, mas depois os lesava sem devolver todo o dinheiro aplicado.
Uma das vítimas que não quis se identificar foi enganada pela quadrilha ao pegar um empréstimo. De acordo com ela, a desconfiança só aconteceu quando a última parcela não foi quitada. 
"Eles sempre pagaram antecipado e a parcela não caiu. A partir disso, me conectei com outros clientes da empresa e vi que estavam na mesma situação. Comecei a desconfiar, pois a empresa dava satisfações desencontradas, desculpas diferentes. O dono da empresa fez um vídeo falando da dificuldade da instituição e que tudo ia ser resolvido. Nós esperamos um pouco, porém hoje acordei com a notícia sobre essa quadrilha e que um deles era o diretor da empresa", conta.

Para atrair clientes, o grupo exibia suas empresas em redes sociais para atrair as vítimas com ofertas de aplicações sedutoras. Mas a exibição não acontecia apenas nas redes sociais da empresa. O chefe do bando, Roniel Cardoso dos Santos, ostentava uma vida de luxo em suas páginas pessoais, postando passeios de helicóptero e jet sky, e viagens internacionais. 
Suspeito de aplicar golpes financeiros ostentava viagens internacionais nas redes sociais - Reprodução / Instagram
Roniel foi capturado em sua casa, num imóvel de alto padrão, em Jacarepaguá, na Zona Oeste. No imóvel, os agentes ainda apreenderam uma grande quantia em dinheiro.
O Departamento Geral de Combate à Corrupção, ao Crime Organizado e à Lavagem de Dinheiro (DGCOR-LD) identificou também os empresários Gabriel Almeida Piquet de Oliveira, Luciene Assunção Silva e Luana Cardoso e outros sete acusados como integrantes da quadrilha.

A polícia também apurou que o grupo planejava se fortalecer politicamente no Maranhão, onde tinha ramificações com o lançamento de candidaturas a cargos eletivos. O objetivo da expansão para o estado nordestino era se beneficiar financeiramente, além de ter respaldo e imunidade.

A operação tem o intuito de cumprir seis mandados de prisão temporária e 36 de busca e apreensão no Rio de Janeiro, Maranhão, Brasília e São Paulo. A Polícia Civil conseguiu junto à justiça o sequestro de bens e contas bancárias - físicas e jurídicas - no valor aproximado de R$ 50 milhões.

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