Baixada tem aumento de prisões de roubadores. São os mais variados tipos de roubos: ônibus, carga, transeuntes e ao comércio - Divulgação
Baixada tem aumento de prisões de roubadores. São os mais variados tipos de roubos: ônibus, carga, transeuntes e ao comércioDivulgação
Por RENAN SCHUINDT e THUANY DOSSARES
Rio - A Secretaria da Polícia Civil (Sepol), através de 19 delegacias da Baixada Fluminense e da Divisão de Capturas (DC-Polinter), fez uma megaoperação, ontem, para cumprir mandados de prisão contra diversos foragidos da Justiça acusados de roubos. A ação se estendeu por todos os 13 municípios da Baixada Fluminense, e, no fim do dia, 67 suspeitos foram presos, sem que houvesse confrontos, tiroteios, mortos ou feridos.

Entre os capturados, estava um homem que é apontado como o maior ladrão de cargas da região, identificado como Jorge Luiz Barbosa Lopes, de 52 anos, indiciado em pelo menos 15 roubos. Os mandados de prisão foram expedidos com base em investigações das delegacias do Departamento Geral de Polícia da Baixada (DGPB) e com levantamento feito pela DC-Polinter.
Dezenas de mandados de prisão foram cumpridos em 13 municípios - Divulgação


As apurações apontam que a maioria dos roubos praticados na região foi financiado pelo tráfico de drogas. “Além de incentivar a prática do crime, os traficantes emprestavam armas para os roubadores de carga, veículos, transeuntes, residências, instituições financeiras e estabelecimentos comerciais, visando o aumento de lucro das ações ilícitas”, informou a polícia, em nota.

Outro suspeito preso na operação foi João Vitor Nóbrega Tavares, conhecido como Coringa, por ter o cabelo pintado de verde como o vilão das histórias em quadrinhos. De acordo com as investigações, Vitor cometia roubos em série na região.
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Um dos presos, Coringa é acusado de 3 roubos na véspera da operação - Reprodução


A polícia suspeita de que ele tenha cometido oito crimes, entre setembro e outubro. As investigações da operação de ontem aconteceram entre os meses de janeiro e setembro deste ano.

5 MINUTOS COM:
FELIPE CURI, Diretor do Departamento Geral de Polícia da Baixada

Se comparados a 2018, o número de prisões na Baixada aumentou em 118% e a elucidação de roubos cresceu 49%. Isso é fruto de alguma mudança na forma de conduzir as investigações?
- O aumento da produtividade está ligado às diretrizes que foram estabelecidas quando assumi. Fizemos um estudo junto às 19 delegacias e identificamos os principais problemas de cada região. Criamos em todas elas setores de roubos e furtos. Também passamos a contar com agentes especializados na investigação desses tipos de crime. Implementamos setores de inteligência nas unidades e criamos uma rede de informações.

Que tipo de prejuízos o número elevado de prisões pode representar para os criminosos que atuam na Baixada?
- Não temos como dimensionar em termos de valores, mas é uma baixa considerável nos índices, que já vêm caindo desde o início do ano. É importante ressaltar que no ano passado tínhamos a Intervenção Federal, que era um efetivo muito maior que estava sendo empregado e, hoje, não temos mais. O maior prejuízo que podemos dar à criminalidade é continuar com o trabalho de inteligência, pois resulta na prisão dos bandidos.

A milícia vem ocupando um grande território na Baixada e, em alguns casos, tem se aliado aos traficantes. Como combater essa investida?
- Estamos combatendo de maneira firme. Não podemos dar muitas informações para não atrapalhar as investigações que estão em curso. O que posso dizer é que somente este ano, já prendemos mais de 80 milicianos na região. A polícia está atenta e cada vez mais tem combatido essa organização criminosa.

A Baixada vive um momento de muita violência, onde muitos moradores se dizem reféns do crime. As denúncias têm ajudado o trabalho de vocês? O que a população pode espera da polícia?
- Infelizmente, não costumamos receber muitas denúncias. Mas procuramos averiguar todos que
chegam às delegacias. Quem puder nos ajudar, as informações serão sempre bem-vindas. Vale
lembrar que as delegacias têm seus canais próprios, como o telefone e as redes sociais. Além
disso, o cidadão pode contar com o programa Disque Denúncia, que é totalmente sigiloso. Estamos
sempre empenhados em prestar o melhor serviço para a população. Este ano, já recebemos viaturas, computadores e armamentos. Esperamos que ano que vem as coisas melhorem ainda mais com a abertura de novos concursos.

Com a experiência adquirida e pela função que desenvolve hoje, percebeu alguma diferença entre comandar as delegacias da Baixada e da capital? O que o motiva a exercer uma profissão cada vez mais arriscada?
- Já fui delegado titular em várias delegacias do Rio e da Baixada Fluminense, além de algumas especializadas. Posso afirmar que conheço muito bem esse a região. Claro, que cada local tem seu desafio. Mas procuro trabalhar sempre da melhor maneira para prestar um bom serviço à população de bem. Sou apaixonado pelo que faço e não e não sei fazer outra coisa. Não importa aonde, sempre vou dar o meu melhor.