Catedral transmitirá canonização de Irmã Dulce

No Rio, moradores de rua terão café da manhã durante a canonização de Santa Dulce dos Pobres

Por GUSTAVO RIBEIRO

Até o fim da vida, Irmã Dulce continuou as obras de assistência aos pobres em Salvador, onde nasceu
Até o fim da vida, Irmã Dulce continuou as obras de assistência aos pobres em Salvador, onde nasceu -

Rio - Os católicos ganharão, neste domingo, a primeira santa nascida em solo brasileiro. Maria Rita de Souza Brito Lopes Pontes, a Irmã Dulce (nome de sua mãe), será canonizada pelo Papa Francisco, em Roma, a partir das 5h no horário de Brasília (10h no Vaticano). No Rio, a Catedral Metropolitana de São Sebastião, no Centro, transmitirá a cerimônia ao vivo em um telão com café da manhã para a população de rua. E a Paróquia da Ressurreição, em Ipanema, na Zona Sul, será uma das primeiras igrejas cariocas a celebrar, às 10h30 de amanhã, uma missa em intenção da freira baiana, que se destacou pela dedicação aos pobres e doentes.

Segundo o cônego Claudio Santos, coordenador arquidiocesano de pastoral e pároco da Catedral Metropolitana, o café da manhã para os moradores de rua começará às 7h, mas o telão estará montado desde as 5h, na Avenida Chile, 245. Já a Paróquia da Ressurreição fica na Rua Francisco Otaviano, 99, em Ipanema. No local, há uma imagem de Irmã Dulce, que passa a ser chamada de Santa Dulce dos Pobres.

"A imagem vai permanecer até domingo no altar e, depois, ficará na entrada da igreja com os outros santos. Na missa solene, vamos pedir a intercessão dela", disse o diácono Jackson Tavares, da Paróquia da Ressurreição.

Superintendente da entidade filantrópica Obras Sociais Irmã Dulce (OSID) e sobrinha da freira, Maria Rita, que está em Roma, se emocionou ao falar da canonização e do trabalho social da tia. Fundada pela freira baiana em 1959, a OSID é um dos maiores complexos de saúde do país, em Salvador, com 3,5 milhões de atendimentos ambulatoriais por ano.

"A obra está viva. Eu acho que o exemplo dela precisa ser multiplicado, não só na Bahia, no Brasil, mas Irmã Dulce dá uma lição muito importante para nós de que o poder não está no dinheiro, o poder está no amor. Quando você ama, quando você se doa a uma causa, ela mostra que dinheiro não tem valor, que se consegue tudo através do amor, da solidariedade, da paz", afirmou Maria Rita. A imagem de Irmã Dulce está exposta no alto da Basílica de São Pedro.

Irmã Dulce se une a 36 santos com origem no Brasil. A primeira santa brasileira foi Madre Paulina, canonizada por João Paulo II em 2002. Embora tenha vivido muito tempo no país, ela nasceu na Itália. O primeiro santo nascido no Brasil foi Frei Galvão, reconhecido em 2007. Santa Dulce será celebrada no dia 13 de agosto, que remete à entrada da religiosa na Congregação das Irmãs Missionárias da Imaculada Conceição da Mãe de Deus, em 1933.

Mais de 14 mil graças relatadas

Jorge Gauthier, autor do livro 'Irmã Dulce, os milagres pela fé' - Sora Maia/ Jornal Correio (BA)

O jornalista Jorge Gauthier leu 5 mil graças atribuídas à freira, catalogadas pela OSID, para escrever o livro "Irmã Dulce, os milagres pela fé", lançado em 2015. Hoje, segundo ele, já há mais de 14 mil graças. Dois milagres foram reconhecidos pelo Vaticano e tratam-se de curas não explicadas pela ciência: a evolução clínica de uma mulher desenganada pelos médicos após o parto e um cego que voltou a enxergar após 14 anos.

Gauthier destaca que Irmã Dulce não se podava pelas limitações impostas pela sociedade e pela igreja. "Ela tinha um foco, que era ajudar as pessoas. Se, para isso, precisava sair do convento à noite, não cumprir os votos de silêncio e de obediência, ela não ia cumprir. Sua solidariedade é o que mais me toca", ressalta o jornalista, que trabalha no jornal Correio (BA).

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Até o fim da vida, Irmã Dulce continuou as obras de assistência aos pobres em Salvador, onde nasceu Divulgação
Jorge Gauthier, autor do livro 'Irmã Dulce, os milagres pela fé' Sora Maia/ Jornal Correio (BA)

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