Especialista diz que carvão ativado não basta para tratar água da Cedae
Professora defende que técnica já deveria ter sido adotado no Rio há mais tempo
Witzel visitou estação no último dia 23 de janeiroPhilippe Lima / Governo do Estado RJ
Por ESTADÃO CONTEÚDO
Rio - A Estação de Tratamento de Água de Guandu, em Nova Iguaçu, na Baixada Fluminense, começou a ser submetida nesta quinta-feira a uma etapa extra de filtragem de água, com a pulverização de carvão ativado no reservatório. O objetivo é reduzir a presença de geosmina - formada pela proliferação de algas, que deixa a água com cheiro e gosto de terra.
O carvão ativado já é usado regularmente em outros estados, de forma permanente, como São Paulo. Para Márcia Dezotti, especialista da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), o carvão já deveria ter sido adotado no estado há mais tempo. Mas ela ressalta que o produto deve melhorar momentaneamente a qualidade da água, sendo preciso investir em tratamento do esgoto.
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"O carvão não faz milagre, mas melhora a qualidade da água. Momentaneamente resolve, mas vai acontecer de novo", a professora avisa. "A Baixada não trata esgoto. O esgoto é lançado diretamente nos afluentes do Rio Guandu. A qualidade da água que chega à estação é muito ruim. A estação está sobrecarregada".
Desde o início do ano, a população fluminense reclama que a água fornecida pela Cedae está com gosto e cheiro de terra. Em alguns bairros, o produto sai turvo da torneira. Para resolver o problema, a companhia começou essa etapa extra de filtragem.