PM condenado pela chacina de Costa Barros é denunciado por usar celular na cadeia
Soldado da PM Antonio Carlos Gonçalves Filho foi condenado a 52 anos de prisão pela participação na chacina em novembro de 2015, quando cinco jovens foram assassinados
Palio onde estavam os cinco jovens assassinados: 111 tiros foram disparados e Antonio Carlos foi o único que admitiu atirar na direção do veículoArquivo O Dia
Por O Dia
Rio - O soldado da PM Antonio Carlos Gonçalves Filho, condenado a 52 anos de prisão pela participação na chacina de Costa Barros, quando cinco jovens foram assassinados, em novembro de 2015, vai responder por mais um crime, este cometido dentro da cadeia. Ele foi flagrado com um celular dentro da cela em fevereiro de 2017.
O Ministério Público do Rio (MPRJ) fez a denúncia após as escutas telefônicas confirmarem que era o soldado condenado que usava o aparelho e ela foi aceita pela juíza Ana Paula Monte Figueiredo Pena Barros, da Auditoria Militar do Tribunal de Justiça do Rio (TJRJ), no dia 31 de janeiro.
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No processo de receptação no qual Antonio Carlos foi denunciado respondem outros dois policiais militares expulsos da corporação e um oficial da PM, todos flagrados com celulares em suas celas: o major Sérgio Ferreira de Oliveira, condenado por integrar uma quadrilha de PMs que fraudava contratos do Fundo de Saúde da corporação (Fuspom).
O ex-PM Flávio Fernandes Franco foi condenado por ter extorquido um turista no Aterro do Flamengo, e o também expulso Felipe Lessa de Oliveira tem uma condenação pelo sequestro de um comerciante no Complexo da Maré.
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Chacina de Costa Barros
Em 28 de novembro de 2015, Carlos Eduardo da Silva de Souza, 16, Roberto Silva de Souza, 16, Cleiton Corrêa de Souza, 18, Wilton Esteves Domingues Junior, 20, e Wesley Castro Rodrigues, 25, foram mortos dentro de um Pálio branco atingido por 111 tiros disparados por policiais militares. O carro dos jovens foi fuzilado quando passava pela Estrada João Paulo, em Costa Barros. Os policiais chegaram a dizer que trocaram tiros com os jovens, mas a perícia descartou a versão dos agentes.
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Antonio Carlos foi o único dos PMs que admitiu atirar na direção do veículo, tanto de fuzil quando de pistola, ao falar que atirou em direção a passarela da região onde ele alegou que havia criminosos. O confronto balístico comprovou que um projétil encontrado no corpo de Cleiton era do fuzil do soldado.
Em julho do ano seguinte, Joselita de Souza, mãe de Roberto, uma das vítimas, morreu de tristeza após depressão profunda que resultou em pneumonia e anemia aos 44 anos. Dias depois, Wilkerson, irmão de Wilton, também morreu após sofrer um aneurisma cerebral.
A mãe dos dois, Márcia, diz que Wilkerson, também atacado e sobrevivente da chacina, não era mais o mesmo após o crime que matou o irmão e os amigos. Ela, que chegou instantes após o fuzilamento, tentou socorrer quem ainda respirava e foi ameaçada por um dos PMs.