Costureiras entram na luta contra o coronavírus

Em parceria com a Prefeitura do Rio, escolas de samba estão confeccionando máscaras e capotes para doar a profissionais de saúde

Por André Arraes

Mãe e filha: Carmem e Jaqueline são as primeiras artesãs solidárias na quadra da Vila Isabel
Mãe e filha: Carmem e Jaqueline são as primeiras artesãs solidárias na quadra da Vila Isabel -

A Prefeitura do Rio acertou uma parceria com costureiras das escolas de samba Unidos de Padre Miguel e Vila Isabel para a fabricação de capotes e máscaras descartáveis para os profissionais de saúde da rede municipal. A agremiação da Zona Oeste recebeu o material da prefeitura no sábado, e o ritmo de produção é de, em média, 400 unidades por dia, com sete costureiras no processo. Já a Vila está contando, por enquanto, com duas costureiras, mas com previsão de aumentar esse número. As profissionais estão trabalhando voluntariamente e a prefeitura estuda a possibilidade de remunerá-las.

Somente no Hospital Municipal Ronaldo Gazolla, referência no tratamento da Covid-19, chegam a ser utilizados dois mil capotes por dia. Daí a ajuda de pessoas como Jaqueline Aguiar e a mãe dela, Carmem Maria, fazer tanta diferença. Elas são costureiras da Vila Isabel e receberam, ontem, os tecidos para começar a tarefa durante esse período de pandemia. "É uma forma de ajudar as pessoas que estão doentes e também de salvar vidas. Nós estamos com pouco trabalho, atualmente, e assim aproveitamos o tempo colaborando com o próximo. Recebemos o material em casa. Quando fica pronto, vem alguém da escola de samba e leva até a prefeitura", conta Jaqueline.

Ação da Liesa

A Liga Independente das Escolas de Samba vai conduzir ação similar, mas sem convênio com a prefeitura. Costureiras das 12 escolas do Grupo Especial, além de União da Ilha e Estácio de Sá, irão confeccionar aventais para funcionários da rede pública de saúde e máscaras para os moradores das comunidades.

Dentre as escolas, Viradouro, Grande Rio e Beija-Flor já iniciaram as confecções das máscaras com as sobras do material do Carnaval. As agremiações vão disponibilizar suas quadras e ateliês para o trabalho das costureiras e a ideia é recrutar seis delas por escola para evitar aglomeração. Além dessa ação, o Salgueiro também faz campanha de arrecadação de alimentos não perecíveis, materiais de limpeza e higiene pessoal. As doações podem ser entregues de segunda a sexta-feira, das 13h às 17h, na quadra da escola (Rua Silva Teles 104, Andaraí).

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