Moradores mostram a visão que têm da rua de dentro de suas casas

Cliques revelam imagens bem caractertísticas de cada lugar do Estado do Rio

Por ANA CARLA GOMES

Matéria especial Pandemia do novo coronavírus. Moradores do Estado do Rio registram de suas casas a visão que têm da rua durante a pandemia do novo coronavírus. Fotos do estudante de Engenharia Elétrica Matheus Zidan, de 24 anos, morador da Tijuca
Matéria especial Pandemia do novo coronavírus. Moradores do Estado do Rio registram de suas casas a visão que têm da rua durante a pandemia do novo coronavírus. Fotos do estudante de Engenharia Elétrica Matheus Zidan, de 24 anos, morador da Tijuca -

Do bairro de São Francisco, em Niterói, o geólogo André Luís Invernizzi, de 50 anos, tem fotografado diariamento o por do sol e a lua. Um ritual que ele incorpou à sua nova rotina imposta pela pandemia do novo coronavírus. Em outro município do Estado do Rio, em São João de Meriti, o fotógrafo e estudante universitário Rômulo Alberto, de 23 anos, capta com o seu olhar sensível uma mudança que reflete bem o isolamento social causado pela Covid-19: a imagem dos senhores com jornais e animais em frente à barberia da sua rua, no bairro Jardim Metrópole, não aparece mais no clique.

A pedido do jornal O DIA, André, Rômulo e mais quatro moradores do Estado do Rio enviaram fotos de como veem a rua dentro de suas casas, revelando cenários bem diferentes e característicos de cada região. No subúrbio de Oswaldo Cruz, na Zona Norte, a assistente administrativo Aline Cid, de 39 anos, não pensou duas vezes ao escolher o que queria retratar da janela: uma casa antiga que adora admirar e que se destaca no meio dos outros telhados.

Galeria de Fotos

Matéria especial Pandemia do novo coronavírus. Moradores do Estado do Rio registram de suas casas a visão que têm da rua durante a pandemia do novo coronavírus. Foto do bombeiro civil André Luís Bezerra da Silva, 45 anos, morador do Camarista André Luís Bezerra da Silva
Matéria especial Pandemia do novo coronavírus. Moradores do Estado do Rio registram de suas casas a visão que têm da rua durante a pandemia do novo coronavírus. Foto do estudante e fotógrafo Rômulo Alberto, 23 anos, morador de São João de Meriti Rômulo Alberto
Matéria especial Pandemia do novo coronavírus. Moradores do Estado do Rio registram de suas casas a visão que têm da rua durante a pandemia do novo coronavírus. Fotos do estudante de Engenharia Elétrica Matheus Zidan, de 24 anos, morador da Tijuca Matheus Zidan
Matéria especial Pandemia do novo coronavírus. Moradores do Estado do Rio registram de suas casas a visão que têm da rua durante a pandemia do novo coronavírus. Foto da funcionária pública Elaine Mendonça Cerqueira, de 43 anos, moradora de Copacabana Elaine Mendonça Cerqueira
Matéria especial Pandemia do novo coronavírus. Moradores do Estado do Rio registram de suas casas a visão que têm da rua durante a pandemia do novo coronavírus. Foto do geólogo André Luís Invernizzi, 50 anos, morador de São Francisco, em Niterói fotos de arquivo pessoal
Matéria especial - Pandemia do novo coronavírus. Moradores do Estado do Rio registram de suas casas a visão que têm da rua durante a pandemia do novo coronavírus. Fotos da assistente administrativo Aline Cid, de 39 anos, moradora de Oswaldo Cruz Aline Cid

Em Copacabana, a vista que engloba o Morro dos Cabritos, os prédios do bairro, entre eles o Hospital Copa D'or, e mais distante o Corcovado é a referência que a funcionária pública Elaine Cerqueira, de 43 anos, tem neste período de isolamento social.

De volta à Zona Norte, o estudante de Engenharia Elétrica Matheus Zidan, de 24 anos, mostra os prédios da Tijuca, próximos à Praça Saenz Peña, com saudades de um programa típico do carioca apaixonado por futebol: as idas ao Maracanã, para ver o seu Flamengo em campo. Falando em futebol, o estádio Nilton Santos, do Botafogo, está no clique do bombeiro civil André Luís Bezerra da Silva, de 45 anos, feito na comunidade Camarista Méier, onde mora, no Engenho de Dentro. Aliás, ver o estádio abrigar um hospital de campanha na luta contra a Covid-19 é um de seus desejos.


Aline Cid, moradora de Oswaldo Cruz:
“Pelas janelas de casa vejo telhados, quintais e a saudade da convivência se transforma na oportunidade de ressignificar a vida e traçar novos planos. Decidi colocar armário e gavetas em ordem. Revi fotos antigas e terminei um bordado deixado de lado há muito tempo. O dia a dia é recheado de filmes, séries, conversas por aplicativos e tentativas de meditação e leitura para controlar a ansiedade”.

André Luís Invernizzi, morador de São Francisco, Niterói
“Tenho fotografado o pôr do sol e a lua também, observando suas diferentes fases. Antes, chegava do trabalho já à noite e não conseguia fazer isso. Tinha o hábito de acordar às 5h para praticar canoa havaiana diariamente às 5h45, mas as aulas estão suspensas. Para me distrair, resolvi fazer um canteiro no quintal e me dedico a ele durante uma hora pela manhã. À tarde, trabalho em home office”.

Matheus Zidan, morador da Tijuca:
“Moro na Tijuca próximo à Praça Saens Peña. Os tijucanos, pelo que observo, estão, em sua maioria, respeitando o isolamento social e o momento delicado que o país vive. Sinto falta da rotina de academia e dos jogos do Flamengo no Maracanã, coisas que faziam parte do meu cotidiano. A falta de ocupação, como as aulas na faculdade, é algo difícil de se adaptar neste momento”.

Rômulo Alberto, morador de São João de Meriti:
“Este tempo de quarentena tem mudado muito o comportamento dos moradores aqui do meu bairro, já que a maioria é de senhores que fazem parte do grupo de risco. A barbearia em frente à minha casa costumava ter pela manhã alguns deles conversando, com alguns jornais e animais por perto. Mas agora não há mais a presença dos senhores que ficariam aqui normalmente conversando”.

André Luís Bezerra da Silva, morador do Engenho de Dentro:
“A vista aqui de cima que a gente tem é do Engenhão, dos prédios, de uma cidade muito bonita, que é o Rio. Estamos mais restritos por conta da pandemia do coronavírus e aqui não é diferente. Estamos adotando todos os cuidados possíveis para que ninguém venha a se infectar. Mas fica o meu aviso para quem tiver uma condição melhor e possa ajudar o próximo para, juntos, vencermos”.

Elaine Mendonda, moradora de Copacabana:
“Vejo os prédios de Copacabana, entre eles o Copa D’Or, o Morro dos Cabritos e, um pouco mais distante, o Corcovado. Nossos trigêmeos passavam o dia na escola enquanto eu e meu marido saíamos para trabalhar. Agora, além de eu trabalhar em home office e o meu marido em sistema de escala, temos a rotina da casa. Mas sabemos que há isolamentos bem mais desafiadores e não temos do que reclamar”

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