Momento especial para a união

Celebração da Páscoa em meio à pandemia do novo coronavírus faz renascer o sentimento de esperança entre fiéis das mais diversas religiões

Por Luana Dandara

Padre Omar em cerimônia de bênção ao povo do Rio de Janeiro aos pés do Cristo Redentor
Padre Omar em cerimônia de bênção ao povo do Rio de Janeiro aos pés do Cristo Redentor -

Pela primeira vez em anos, essa será uma celebração diferente da Páscoa. Hoje, nas igrejas e templos, a liturgia acontecerá, na maior parte, por transmissão online. Em muitas famílias, o tradicional almoço e a troca de chocolates também serão feitos a distância. Líderes de diferentes religiões orientam que as pessoas fiquem em casa nesta data, priorizando a saúde e a proteção em meio à pandemia do novo coronavírus.

Padre Omar Raposo, reitor do Cristo Redentor e colunista de O DIA, destacou que a ressurreição de Cristo é o ponto central da fé católica: "A nossa fé é pascal, que nos comunica uma postura resiliente e deve ser assumida por cada pessoa que crê. Por isso, mais do que nunca, ao nos encontrarmos diante de uma situação de pandemia, de instabilidade social, precisamos encontrar forças com Ele, o Redentor da Humanidade", afirmou.

Hoje, às 10h30, o padre realiza a última missa da Semana Santa em seu canal do YouTube. "Que possamos celebrar a Ressurreição de Cristo de forma solidária, em nome da família e da igreja. Que possamos estabelecer uma relação de perdão, de amizade, de respeito, para que, assim que acabar este processo tão difícil, possamos ampliar os nossos horizontes na formação de uma cultura de paz", aconselhou padre Omar.

O pastor Henrique Vieira, da Igreja Batista do Caminho de Niterói, também tem feito 'lives' no seu Instagram, onde acumula mais de 300 mil seguidores. "A gente sente saudade do encontro presencial, mas o significado da Páscoa se mantém o mesmo. É menos o lugar que estamos e mais a disposição do nosso coração. Dentro de casa, que possamos lembrar do sofrimento da cruz, da paixão de Cristo pela humanidade e seu compromisso pelos oprimidos", disse ele.

O pastor ainda deixou uma mensagem de esperança: "Vamos lembrar que Deus está ao nosso lado, enxugando nossas lágrimas e nos ajudando a atravessar este momento. A vida é muito passageira e frágil. O melhor dela é decidir por laços de comunhão, de generosidade, de amor. Na falta de controle sobre tudo, amar é a melhor opção", ressaltou.

E mesmo nas religiões em que a Páscoa não é comemorada, como no candomblé, existe todo um simbolismo ligado à fé, nesta época. "Pedimos a Ogum que nos dê vitória sobre essa doença e a Obaluaê proteção. É necessário que todos permaneçam em seus lares para que o sistema de saúde seja capaz de suprir as necessidades dos casos mais graves", instruiu o babalaô Ivanir dos Santos.

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