Rocinha recebe testes gratuitos para a Covid-19

Segunda edição do 'Favela sem Corona' realizará testagem em pessoas com mais de 60 anos que tiveram contato com casos confirmados

Por Marina Cardoso

Testes visam combater avanço do coronavírus nas comunidades
Testes visam combater avanço do coronavírus nas comunidades -

Com intuito de combater a pandemia do novo coronavírus nas favelas cariocas, a Rocinha recebe amanhã a segunda edição do projeto 'Favela sem Corona' - a primeira ocorreu no último sábado. Criado em março por um coletivo formado por sociólogos, geólogos, professores e profissionais de serviços sociais, o programa visa conter o avanço da Covid-19 nas comunidades do Rio oferecendo testes rápidos para a detecção do vírus. Nesta primeira etapa, a campanha é destinada a pessoas do grupo de risco, que tiveram contato com casos fatais ou confirmados. A testagem é gratuita.

A expectativa do 'Favela sem Corona' é fazer a testagem em cerca de 100 pessoas da comunidade. Com uma população em torno de 200 mil habitantes, a Rocinha foi o primeiro local escolhido pelo projeto em função de nos últimos dias ter apresentado alguns casos de morte em decorrência da Covid-19. O objetivo, contudo, é levar o programa para mais comunidades do Rio. 

Para a realização da campanha de testes rápidos gratuitos, o projeto conta com a parceria de uma clínica da região, que fica responsável pela aplicação e pelos laudos, apresentados em 10 minutos. De acordo com o diretor-administrativo Tiago Vieira Koch, os testes são feitos com horário marcado através da triagem com líderes da comunidade. "A ideia é conseguir fazer o maior número de teste na população da Rocinha, com horário marcado, pois assim conseguimos evitar aglomeração", destaca.

As pessoas que realizam os testes recebem máscaras caseiras confeccionadas por costureiras da comunidade da Maré. "Nós acreditamos que as parcerias são a melhor forma de alavancar um projeto. Por isso, todas as ações que realizamos envolvem pessoas e empresas que possam ampliar o alcance de nossas campanhas", conta Pedro Berto, líder do projeto e ex-morador de comunidade.

Arrecadação

A arrecadação para os testes veio de pessoas físicas e resultou em quase R$ 20 mil. Agora, o projeto busca mais doadores para que possa levar a campanha a mais gente e a alcançar outras comunidades.
Além dos testes, o projeto quer também prevenir a disseminação da doença, dar apoio a possíveis infectados em comunidades vulneráveis e adotar medidas de colaboração socioeconômica para diminuir o impacto do coronavírus nas comunidades. Para isso, há a parceria com o ‘Brownie de Favela’, pequena empresa da comunidade, e o aplicativo James Delivery.

Os kits com quatro brownies, de sabores diferentes, estão disponíveis para venda na área de cobertura que o aplicativo atende na capital carioca. Com a compra de um kit, outro é doado a uma criança de uma comunidade.

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