Saudade amarga QUE NEM JILÓ

Pequenos e grandes comerciantes da Feira de São Cristóvão enfrentam dificuldades para pagar as contas. Polo cultural está fechado há um mês

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Aglomeração sempre foi palavra bem-vinda na Feira de São Cristóvão, ponto de encontro de nordestinos que sentem falta da terra natal e também de jovens que gostam de soltar a voz nos karaokês. Mas as quase 700 barracas de iguarias, roupas típicas, bares e restaurantes foram fechados pela prefeitura há um mês por conta da pandemia do novo coronavírus. Sem a renda dos fins de semana, grandes e pequenos comerciantes do pavilhão estão passando por dificuldades financeiras.

Luiz Paulo Keikoj é proprietário do Bazar da Cantoria, um dos primeiros a instalar karaokê, que virou febre entre os mais jovens nos últimos anos. O local, assim como os outros comércios, foi fechado pela prefeitura no dia 14 de março. "É um bar de entretenimento que gera aglomeração, tem ar-condicionado interno, não tinha como, mesmo. Mas é difícil. Vou vivendo de economias. Eu tinha dois funcionários que trabalhavam quando o estabelecimento abria. Mantive o pagamento deles", disse o comerciante, ainda incerto de como será daqui para frente. Quando as portas abrirem, ele pensa em comprar um microfone com suporte para que ninguém precise encostar no aparelho. "Penso em comprar isso para ninguém precisar meter a mão no microfone. Também não sei se vou poder aglomerar no meu estabelecimento".

Demissão de funcionários

Os grandes comerciantes do Centro de Tradições Nordestinas também estão sofrendo com as atividades suspensas. A Barraca da Chiquita, há 41 anos em funcionamento, precisou demitir mais de 30 funcionários por conta das dificuldades. Além do restaurante dentro da Feira, Chiquita também tem filiais em Icaraí (Niterói) e Copacabana, bairros com aluguéis caros.

"A gente faz conta e sabe que não vai voltar da forma que era. Vamos ficar só com 85 funcionários. Numa hora dessa, o que é mais dolorosa é essa parte. É muito difícil alinhar uma equipe", disse Chiquita. "Fomos pegos de surpresa, não tivemos como nos programar. A gente já tinha feito compras para aquele fim de semana que fechou (14 e 15 de março). A Feira sofreu e está sofrendo muito em função disso".

Chiquita está realizando entregas, mas não é suficiente para pagar as contas. "O delivery pode pagar conta de outros restaurantes, mas do nosso, nem pensar. Delivery é só para mostrar que o restaurante existe. Até porque estamos em lugares caros, Icaraí e Copacabana. Esperamos que quando as coisas melhorarem, a Feira seja logo o primeiro local a abrir".

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