Rio tem urnas além da conta

Associação de fabricantes de arcas funerárias garante que está preparada para enfrentar qualquer cenário por conta da pandemia

Por Gabriel Sobreira

Bastidores da produção de urnas na fábrica Godoy Santos, em Dois Córregos (SP)
Bastidores da produção de urnas na fábrica Godoy Santos, em Dois Córregos (SP) -

Por ora, o Rio não terá problemas de falta de fornecimento de urnas funerárias, de acordo com a Associação dos Fabricantes de Urnas do Brasil (Afub). A capacidade técnica produtiva do setor pode suprir um aumento em torno de 50% da demanda atual, que é uma média de 8 mil a 10 mil de óbitos por mês no estado do Rio. Já a média nacional é de 100 mil óbitos por mês. As informações são da associação, que garante que a produção pode ser ainda elevada, caso haja necessidade.

"Hoje, as empresas estão com mudanças, como aumento do turno de trabalho, padronização de modelo único a ser feito por todas as empresas, entre outras ações. Podemos atingir quase o dobro da produção atual", afirma Antônio Carlos Mota Marinho, diretor-presidente da Afub.

Marinho é dono da Godoy Santos, localizada em Dois Córregos, São Paulo, que atende vários clientes no país, inclusive no Rio. De acordo com ele, a empresa fabrica de 12 mil a 15 mil urnas por mês. "Se eu fizer aumento de turno, conseguirei atingir 20 mil urnas por mês. E não somos os únicos. Para termos falta de urnas, teríamos que estar vivendo uma tragédia ainda maior, um colapso enorme no Brasil para que isso de fato acontecesse", diz.

Segundo ele, a maioria das funerárias têm um estoque físico para demandas de curto período. Como é o caso da Envida Rio, que atende as regiões Baixada Fluminense, Serrana e Sul Fluminense.

"Fizemos estoque interno de 1.500 urnas. O nosso normal é de 250 por mês", conta Adriano Castilho, presidente da Envida Rio: "E tenho mais mil urnas já provisionadas com fabricante".

Castilho conta que seguiu a orientação da Organização Mundial da Saúde (OMS) e da Associação Brasileira de Empresas e Diretores do Setor Funerário (Abredif), que era de aumentar em duas vezes a capacidade. "Podemos, ainda, estender até três vezes nas áreas de impacto maior", explica ele, que é diretor da Abredif.

Produção teve um crescimento de pelo menos 30%

Para Lourival Panhozzi, presidente da Associação Brasileira de Empresas e Diretores do Setor Funerário (Abredif), o estoque de urnas nas empresas funerárias é de, no mínimo, para 30 dias. Ele diz que, em todo o país, existem mais de 150 mil urnas estocadas, e que isto equivale dizer que necessitariam 150 mil óbitos a mais para que ocorresse um colapso.

"O que não vai ocorrer nacionalmente. Pode até acontecer pontualmente, mas não em todo o Brasil".

Lourival explica que as urnas são repostas diariamente, e que a Abredif conseguiu que os fabricantes aumentassem a produção em pelo menos 30%.

"Estamos fabricando em torno de 40 mil urnas a mais por mês, para suprir qualquer eventualidade. Lembrando que só a produção extra que se faz em um mês é capaz de suprir o que houve até agora de óbitos por coronavírus, multiplicado por dez", assegura.

O presidente da associação conta, ainda, outras medidas tomadas pelo plano de contingenciamento por conta do novo coronavírus.

"Identificamos o inventário por cada empresa, por cidade ou região. E na hora em que uma cidade entra na zona quente (área de epicentro da pandemia), imediatamente nós acionamos uma rede de apoio e suporte àquela cidade. Temos esperança de vencer essa crise e tentamos manter o mínimo de dignidade na execução das homenagens funerárias", explica Panhozzi.

Manaus começa a receber urnas funerárias

Urnas funerárias chegaram em barcas a Manaus na madrugada de sexta-feira - ABREDIF
Transporte de urnas para Manaus - ABREDIF
Transporte de urnas para Manaus - ABREDIF
De acordo com a Associação Brasileira de Empresas e Diretores do Setor Funerário (ABREDIF), Manaus começou a receber urnas funerárias anteontem (quarta-feira). Segundo Lourival Panhozzi, presidente da ABREDIF, as empresas manuaras estão pagando pelas encomendas. "Pedimos ao governo apenas apoio logístico no transporte para fortalecer o estoque", explica Panhozzi. "Via barco de Santarém (PA), chegaram 100 urnas ontem (quarta-feira) e chegam outras 185 hoje (quinta-feira). No domingo deve chegar outro lote de caminhão/balsa via Porto Velho (RO) com mais 300 e, na terça, 400 urnas. Um total de 985 urnas. Com muita luta, os irmãos funerários de Manaus estão enfrentando está crise. A eles nossas vibrações e respeito", completa.
 
As empresas funerarias de Manaus começam a receber urnas funerárias.

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Bastidores da produção de urnas na fábrica Godoy Santos, em Dois Córregos (SP) AFUB
Para otimizar e aumentar a produção, as empresas do ramo estão padronizando o produto AFUB
Bastidores da produção de urnas na fábrica Godoy Santos, em Dois Córregos (SP) AFUB
Bastidores da produção de urnas na fábrica Godoy Santos, em Dois Córregos (SP) AFUB
Bastidores da produção de urnas na fábrica Godoy Santos, em Dois Córregos (SP) AFUB
Bastidores da produção de urnas na fábrica Godoy Santos, em Dois Córregos (SP) AFUB
Bastidores da produção de urnas na fábrica Godoy Santos, em Dois Córregos (SP) AFUB
Produção a todo vapor de urnas funerárias na fábrica Godoy Santos, em Dois Córregos, no interior de São Paulo: são cerca de 15 mil unidades a cada mês Fotos Divulgação/Afub

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