Alerj discute suspensão de operações policiais em comunidades durante isolamento social

Comissão de Constituição e Justiça da Assembleia Legislativa do Rio discute na próxima segunda-feira um projeto de lei que determina a suspensão de operações policiais nas comunidades e periferias do Estado do Rio de Janeiro durante o período de isolamento social

Por Beatriz Perez

No Complexo do Alemão, como em outras comunidades, moradores tomam iniciativas de conscientização sobre a pandemia da Covid-19
No Complexo do Alemão, como em outras comunidades, moradores tomam iniciativas de conscientização sobre a pandemia da Covid-19 -
Rio - A Comissão de Constituição e Justiça da Assembleia Legislativa do Rio (Alerj) discute na próxima segunda-feira um projeto de lei que determina a suspensão de operações policiais nas comunidades e periferias do Estado do Rio de Janeiro durante o período de isolamento social. A reunião está marcada para às 10h.
A suspensão das operações policiais se refere às ações táticas da política de segurança, não abrangendo o atendimento à população em geral, por solicitação do serviço de chamada ou registro de ocorrência.
A discussão do projeto ocorre na esteira de uma série ações que culminaram em mortes de jovens em favelas nesta semana.
O projeto de autoria da deputada estadual Dani Monteiro (Psol) traz na justificativa que "o que as moradoras e moradores de favelas e periferias necessitam neste momento é que o Estado entre nesses territórios com auxílio emergencial financeiro, cestas básicas, insumos para a rede pública de saúde, água potável, sanitização das ruas e vielas, gás, enfim, proteção e seguridade social".
Semana marcada por morte de jovens durante operações

Galeria de Fotos

Rodrigo Cerqueira cursava o segundo ano do Ensino Médio. Ele foi morto durante operação policial no Morro da Providência, Centro do Rio Reprodução
João Vitor faria 19 anos no próximo dia 6 Arquivo Pessoal
Iago César Gonzaga, de 21 anos Reprodução
João Pedro Pinto tinha 14 anos ao ser morto, na segunda-feira Arquivo Pessoal
Nesta quinta-feira, uma operação da UPP da Providência no Centro do Rio resultou na morte de um jovem de 19 anos. A ação também interrompeu uma ação de distribuição de cestas básicas. Rodrigo Cerqueira cursava o segundo ano do Ensino Médio. A Polícia Militar diz que ele era suspeito e estava armado. A mãe do estudante nega e diz que o filho nunca teve envolvimento com criminalidade. 
Na noite da véspera, quarta-feira, João Vitor Gomes da Rocha, 18, foi morto durante uma operação conjunta da Polícia Militar com a Polícia Civil na Cidade de Deus. Segundo a polícia, ele fazia parte de uma quadrilha especializada em sequestro-relâmpago que age nas imediações do bairro da Zona Oeste do Rio. A mãe do jovem, no entanto, nega a versão e diz que o filho não estava envolvido com a criminalidade. Na ocasião, voluntários do Movimento Frente CDD distribuíam 200 cestas básicas para moradores da comunidade.

Na segunda-feira, familiares denunciaram que Iago César Gonzaga, de 21 anos, foi torturado e morto por policiais militares durante uma operação na comunidade de Acari, na Zona Norte do Rio. No mesmo dia, morreu o adolescente João Pedro Matos Pinto, de 14 anos, atingido por tiro de fuzil disparado por policiais quando estava brincando no quintal de casa. Segundo a família e testemunhas, policiais chegaram atirando à casa onde João e amigos estavam, na praia da Luz, em Itaoca. Ele foi baleado e colocado em um helicóptero da Polícia Civil. A família ficou sem notícias de seu paradeiro por 17 horas.
Na sexta-feira da semana passada (15) uma operação com intenso tiroteio levou terror ao Complexo do Alemão, Zona Norte. A Polícia Civil identificou os corpos de 12 mortos durante a ação que tinha como objetivo encontrar um paiol com armas, munições e drogas. Moradores precisaram transportar a pé os corpos envolvidos em lençóis para a parte baixa da comunidade. Moradores denunciaram que tiveram suas casas invadidas.

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