'Meu filho não estava no lugar errado', diz pai de estudante de direito morto na Praça Seca

Caio de Jesus foi sepultado na manhã desta quarta-feira, no cemitério Jardim da Saudade, em Sulacap

Por Lucas Cardoso

Enterro do estudante de Direito morto na Praça Seca nesta quarta-feira
Enterro do estudante de Direito morto na Praça Seca nesta quarta-feira -
Rio - Sob forte comoção, foi enterrado na manhã desta quarta-feira o jovem Caio de Jesus, vítima de bala perdida em confronto entre traficantes e milicianos na Praça Seca, na Zona Oeste do Rio. Estudante de direito, o jovem iria se casar em setembro e voltava para casa após ir ao barbeiro na comunidade da Barão, no bairro.

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Corpo de estudante de direito morto em confronto na Praça Seca é enterrado nesta quarta-feira Reginaldo Pimenta / Agência O DIA
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Corpo de estudante de direito morto em confronto na Praça Seca é enterrado nesta quarta-feira Reginaldo Pimenta / Agência O DIA
Corpo de estudante de direito morto em confronto na Praça Seca é enterrado nesta quarta-feira Reginaldo Pimenta / Agência O DIA
Corpo de estudante de direito morto em confronto na Praça Seca é enterrado nesta quarta-feira Reginaldo Pimenta / Agência O DIA
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Enterro do estudante de Direito morto na Praça Seca nesta quarta-feira Reginaldo Pimenta / Agência O DIA
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O sepultamento aconteceu no cemitério Jardim da Saudade, em Sulacap, e foi acompanhado por cerca de duzentas pessoas, entre parentes e amigos. Na despedida, salva de palmas e orações. Celso da Silva, o pai do estudante, falou do orgulho que sentia do filho e dos planos profissionais. Segundo ele, o jovem já havia escrito um livro e se preparava para o segundo.
"O Caio era um menino muito bacana, de um caráter que não deixa nenhuma dúvida. Um menino de 24 anos que iria se formar agora no fim do ano. Ele tinha o sonho de estudar para se tornar juiz e desembargador, mas esse sonho dele foi tirado brutalmente", disse o pai do estudante.
Caio foi atingido pelas costas quando retornava do barbeiro para sua residência, na segunda-feira. No mesmo momento, segundo a Polícia Militar, militares foram acionados para o local após denúncias de tiroteios na região. Ao chegarem próximo a comunidade da Barão, criminosos teriam disparado do alto do morro para impedir o acesso dos militares. 
Segundo o pai do estudante, o jovem não dirigia em alta velocidade, conforme foi dito pelo porta-voz da PM, o coronal Mauro Fliess, em entrevista ao "Bom Dia Rio", da TV Globo, nesta terça-feira. "Ouvimos alguns dizerem que meu filho estava no lugar errado, na hora errada, mas isso não é verdade. Meu filho estava no lugar certo, na hora certa. O que não deveria estar acontecendo foi o que aconteceu. Aquele tiroteio, que a gente ainda não sabe de onde veio", disse o pai.
Visivelmente abalado, o irmão mais velho da vítima, Diego de Jesus, disse que só espera que a história do Caio não se repita com outros jovens e que mais famílias precisem passar por essa situação. "A gente não quer saber quem fez. Só queremos que isso acabe. Hoje foi meu irmão, mas e amanhã? Vai ser quem?", disse.
Diego e o irmão mais novo de Caio, Lucas de Jesus, chegaram ao local do sepultamento abalados e carregados por parentes. Caio era o irmão do meio. A irmã mais nova, de 15 anos, e a mãe da vítima não saíram de perto do caixão em momento algum. 
A noiva do jovem, que se casaria com ele em setembro, também precisou ser amparada por familiares e durante o cortejo precisou ser carregada em uma cadeira de rodas até o local do sepultamento. 
Segundo um amigo da família, o casal já teria comprado passagens para viagem de lua de mel. Caio e a noiva iriam viajar para Punta Cana, na República Dominicana.
Além da faculdade de direito, Caio trabalhava como motorista de aplicativo e se preparava para abrir o próprio negócio, um delivery de pizzas em cone.
Procurada, a Polícia Civil ainda não deu nenhum detalhe sobre a investigação do caso. A Delegacia de Homicídios (DH) está responsável pelo inquérito.  

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