Rio de Janeiro 03/08/2020 - Movimentacao no Hospital Estadual Alberto Torres em Sao Goncalo. Foto: Luciano Belford/Agencia O Dia - Luciano Belford/Agencia O Dia
Rio de Janeiro 03/08/2020 - Movimentacao no Hospital Estadual Alberto Torres em Sao Goncalo. Foto: Luciano Belford/Agencia O DiaLuciano Belford/Agencia O Dia
Por Maria Clara Matturo*

Mais de um mês após o começo das denúncias, funcionários do Hospital Estadual Alberto Torres, em São Gonçalo, continuam com o salário atrasado. Além da falta de pagamento, que tem deixado alguns profissionais em situações difíceis, eles relatam ainda os desdobramentos que têm vivido para conseguir manter o atendimento aos pacientes. Diante da visível crise administrativa, a Secretaria Estadual de Saúde (SES) e o Instituto Lagos Rio, responsáveis pelo funcionamento do hospital, permanecem transferindo as responsabilidades uns para o outro, sem resolver o problema. 

"Eu peguei empréstimo para pagar minhas contas, estou há três meses acumulando dívidas. Muita gente está com o bilhete único sem saldo e, se não vai trabalhar, é obrigado a assinar advertência. Os funcionários que estão conseguindo ir, estão sendo coagidos a fazerem os extras para suprir a falta de quem não vai. E como se isso não fosse o suficiente, não podemos reclamar nem denunciar, porque fomos ameaçados de demissão", relatou uma funcionária do Hospital Estadual Alberto Torres, que preferiu não se identificar. 

Prestação de contas

Questionada, a Secretaria Estadual de Saúde informou, em nota, que no começo de julho repassou R$ 20,4 milhões para a OS Lagos Rio. "Desse valor, R$ 18,3 milhões foram destinados ao pagamento de trabalhadores e R$ 2,1 milhões foram para custeio, o que inclui medicamentos e materiais médicos e hospitalares", informou. A SES garantiu ainda que fará o repasse referente ao mês de julho até hoje e reforçou que "o pagamento dos salários a seus colaboradores cabe à própria organização social".

Referente aos repasses, a SES divulgou que deve entrar com uma investigação "por meio da Comissão de Acompanhamento e Fiscalização, que vai exigir da OS a prestação de contas para apurar se o pagamento dos salários de junho foi realizado e, em caso negativo, saber qual o motivo do atraso".

Enquanto isso, a Lagos Rio afirmou que "o repasse na quantia em referência foi feito na última sexta-feira, ao final do dia e que até o presente momento não houve o recebimento de nenhuma quantia na conta bancária vinculada ao Contrato de Gestão do Complexo Estadual de Saúde. Tão logo seja acusado o recebimento dos valores, o Instituto procederá os respectivos pagamentos em aberto". A OS reforçou ainda questões administrativas da Secretaria como justificativa para os atrasos. "É de conhecimento público que a SES vem passando por diversas mudanças nos últimos meses, tendo três secretários de Saúde".

 

Hospital de campanha deve ser mantido
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No último domingo, a Justiça do Rio emitiu uma decisão que obriga o governo do Rio a manter os hospitais de campanha funcionando. A iniciativa é da juíza Neusa Regina Larsen de Alvarenga Leite, da 14ª Vara de Fazenda Pública, que levou em consideração uma iniciativa da Justiça em maio, que determinava a "efetiva operação" em todos os leitos em hospitais de campanha da cidade. Agora, o estado tem 20 dias para cumprir a determinação.
Anteriormente, o atual secretário estadual de Saúde, Alex Bousquet, havia anunciado a pretensão de desativar os hospitais de campanha e alegou que "a desmobilização dos hospitais de campanha vai fazer com que distribuamos esse material nos hospitais da nossa rede própria e nos municípios. Fortalecemos os municípios no combate à pandemia. Não teremos mais a lona visível, mas teremos um reforço na Saúde das cidades".
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