Óbitos pelo novo coronavírus disparam em Campo Grande

O bairro tem o maior número de vítimas na capital carioca e registrou 57 mortes nos últimos 13 dias

Por Danillo Pedrosa

Igreja Nossa Senhora do Desterro de Campo Grande
Igreja Nossa Senhora do Desterro de Campo Grande -

A pandemia da covid-19 segue com números preocupantes no Rio de Janeiro, mas, em Campo Grande, as estatísticas são ainda mais assustadoras. Na contramão de outras localidades, que já apresentam diminuição em óbitos diários, o bairro mais populoso do Rio registrou 57 mortes nos últimos 13 dias, já soma 433 desde o início da pandemia e lidera o ranking de óbitos na cidade.

Para efeito de comparação, o segundo colocado da lista, Bangu, registrou apenas oito mortes no mesmo período - ou seja, 86% a menos, e soma agora 383 no total. Há duas semanas, Bangu chegou a estar à frente de Campo Grande em número de mortes, mas os últimos dias foram mais calmos no bairro.

A "dobradinha" da Zona Oeste na liderança em número de vítimas da covid-19 só comprova a gravidade da pandemia na região, que tem sete representantes entre os dez bairros mais atingidos pela doença: Campo Grande (433), Bangu (383), Realengo (390), Santa Cruz ( 232), Barra da Tijuca (171), Taquara (149) e Paciência (140). Além disso, outros três bairros da região já superam a marca de 100 mortes: Senador Camará (114), Guaratiba (113) e Jacarepaguá (110). Já Padre Miguel soma 99 óbitos.

Principalmente nos bairros periféricos, outra estatística preocupante é a taxa de letalidade, consideravelmente maior que as de bairros de maior poder aquisitivo. Em Paciência, por exemplo, essa taxa chega a 21,1%; em Bangu, 20,07%; em Realengo, 18,6% e em Campo Grande, 15,6%.

Já em Copacabana, na Zona Sul, a porcentagem de mortes por casos confirmados é de 10% e na Barra, 6%. O primeiro, inclusive, lidera a lista de casos confirmados, com 2.932, e o segundo é justamente a Barra, com 2.843. Em seguida aparece Campo Grande, com 2.761.

Estabelecimentos fechados em Bangu e Realengo

Em mais um fim de semana muito movimentado, agentes da Secretaria Municipal de Ordem Pública (Seop) realização uma ação no último domingo para coibir aglomerações na Zona Oeste. Como resultado, dez estabelecimentos foram fechados entre os 57 fiscalizados em Bangu e no Ponto Chic, em Padre Miguel, e um evento não autorizado foi encerrado em Guaratiba.
De todos os 57 estabelecimentos fiscalizados em Bangu e Padre Miguel, 18 foram multados por irregularidades. As infrações incluem falta de uso de máscara, desrespeito a medidas sanitárias e aglomerações.Um dos locais, em Bangu, ainda promovia um evento clandestino para mais de mil pessoas e foi autuado.
Durante o roteiro, três ambulantes sem autorização foram orientados a se retirar e sete foram notificados. Uma estrutura que ocupava um espaço público indevidamente teve que ser desmontada. Além disso, cerca de 200 quilos de resíduos sólidos foram recolhidos.Já em Guaratiba, o evento impedido pelos agentes da Seop aconteceria em uma casa especializada na Estrada da Ilha. A equipe chegou no local por volta das 14h e constatou a organização da festa que não pôde acontecer. O proprietário do estabelecimento ainda foi autuado por falta de uso de máscaras,e falta de higiene nos banheiros.
Vale ressaltar que a Zona Oeste é a líder de chamados no Disk Aglomeração (1746) da Prefeitura desde o início da pandemia, em março. Entre os dez bairros mais demandados, sete são da região: Campo Grande, Realengo, Bangu, Santa Cruz, Barra da Tijuca, Taquara e Recreio dos Bandeirantes.

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