Volta às aulas adiada outra vez

Mães de alunos de escolas particulares relatam dificuldades de manter ensino a distância. Se insistir na reabertura, prefeitura pagará multa diária de R$ 10 mil

Por Lucas Cardoso e Maria Clara

Escola infantil de Madureira, na Zona Norte, precisou fechar as portas mais uma vez, após desembargador proibir aulas presenciais
Escola infantil de Madureira, na Zona Norte, precisou fechar as portas mais uma vez, após desembargador proibir aulas presenciais -

Edcleide Ribeiro Torres, de 31 anos, arrumava o filho, Isaías Ribeiro, de 9 anos, para ir à escola quando recebeu a notícia de que a instituição não abriria, ontem. A mãe é uma das muitas que precisou se desdobrar para descobrir como lidar com o fechamento das unidades particulares, após decreto estadual reverter permissão dada pela Vigilância Sanitária do município, que autorizava a abertura das unidades na última segunda-feira.

Ontem, uma decisão da Justiça do Rio proibiu a prefeitura de expedir qualquer outro ato administrativo para promover o retorno das atividades educacionais presenciais na rede privada. Além de proibir a retomada das escolas em todo território estadual, suspendeu também o decreto municipal que permitia o retorno facultativo das instituições particulares. A determinação do desembargador Peterson Barroso Simão, da 3ª Câmara Cível, garante ainda a aplicação de multa de R$ 10 mil por dia caso o município desobedeça a ordem.

"É um absurdo isso que estão fazendo. Nós pagamos a mensalidade dele e a escola se preparou para receber com segurança todos os alunos. Não tem sido fácil o regime online. As professoras e a escola têm um papel fundamental na educação do meu filho, que eu não tenho condição de suprir", comenta Edcleide.

A situação é a mesma da autônoma Jéssica Vieira, que recebeu a notícia ao chegar ao local com sua filha, Mirella Vieira, de 9 anos. "Muitos me criticaram por querer trazê-la, mas as pessoas não sabem da dificuldade de manter o estudo online. Ela queria vir para a escola e aqui ela estava segura por tudo que vi", explica a moradora de Madureira.

Para a diretora da escola particular Jardim Escola Tia Paula, Paula Pinna, a decisão deixa a situação das escolas privadas ainda mais indefinida e confusa. A unidade administrada por ela é uma das poucas na cidade que decidiu abrir as portas na última segunda-feira, após a prefeitura divulgar permissão da Vigilância Sanitária.

"Eles orientaram e nós, prontamente, fomos lá e fizemos. Adiaram três vezes esse retorno e agora passamos por isso de novo", conta Paula.

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