Filha vai visitar pai no Hospital Salgado Filho e descobre que ele morreu há 50 dias

Família conta que o homem deu entrada na unidade no dia 25 de junho com AVC e suspeita de covid-19

Por Lucas Cardoso

Tainara estava sem informações sobre o pai desde o dia 1º de julho
Tainara estava sem informações sobre o pai desde o dia 1º de julho -
Rio - Um paciente do Hospital Municipal Salgado Filho morreu no dia 1º de julho e a filha diz que só ficou sabendo nesta quarta-feira, 50 dias após a morte do pai. De acordo com Tainara de Souza, de 25, seu pai, Paulo Cesar, deu entrada na emergência da unidade de saúde do Méier, na Zona Norte, no dia 25 de junho, com quadro de Acidente Vascular Cerebral (AVC). Desde então, ela afirmou só ter conseguido informações do pai via Whatsapp, já que ele também tinha quadro suspeito de covid-19. Paulo foi enterrado no dia 5 de agosto, sem o conhecimento da família.

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Filha diz que hospital não comunicou sobre a morte do pai Cléber Mendes
Na foto, a Dra Carla Cantisano, diretora geral do Hospital Salgado Filho Cléber Mendes
Tainara estava sem informações sobre o pai desde o dia 1º de julho Cléber Mendes
Tainara estava sem informações sobre o pai desde o dia 1º de julho Cléber Mendes
Tainara conta que só ficou sabendo da morte do pai porque levou um irmão para ser atendido no hospital. "Só fiquei sabendo porque trouxe meu irmão, que estava passando mal. Aproveitei que já tinha conseguido entrar e fui até a sala amarela, onde ele tinha ficado. Por eu não ter achado, vim aqui na recepção. A pessoa que estava lá falou que o nome dele não estava no sistema. Ela pediu para esperar e foi procurar. Depois ela me levou até um lugar onde ela encontrou o registro de que ele tinha morrido. A gente quer pelo menos que enterrou. A gente quer se despedir. É difícil. Dói muito. Para mim isso foi um descaso muito grande", disse emocionada a filha. 
Tainara conta que tentou contato com o hospital depois do dia 1º, quando ainda acreditava que o pai estava vivo, mas não conseguiu resposta em nenhuma situação. Antes disso, ela afirma que teria recebido mensagens com a situação do pai via Whatsapp. "Tentei várias vezes falar com eles. Só não consegui vir porque fiquei desempregada e não tinha como pagar a passagem, mas não fazia ideia de que isso pudesse ter acontecido", comentou.
O Hospital Municipal Salgado Filho alega que procurou a família pelo telefone de cadastro e que chegou a enviar um telegrama notificando a família na data da morte de Paulo. Ainda segundo a direção, foram feitas várias tentativas por telefone e diversas tentativas de notificação através da correspondência, mas em nenhuma delas os Correios teriam encontrado um parente no endereço. A família, no entanto, questiona a informação.

"É impossível que eles tenham ido lá em casa e ninguém estivesse. Minha avó tem dificuldades de locomoção e está sempre em casa. Não faz sentido isso", conta Tainara.
De acordo com a médica e diretora geral do Hospital Municipal Salgado Filho, Carla Cantisano, sem resposta da família, a unidade acionou o Detran para confirmar a identidade do pai de Tainara e, em seguida, realizou o enterro. O trâmite levou pouco mais de um mês, por isso Paulo só foi sepultado no dia 5 de agosto, sem a presença de nenhum familiar, no cemitério de Irajá, na Zona Norte. 
Para a diretora, houve uma "deficiência de informação no cadastro". "No momento em que você não consegue falar no telefone informado e no momento em que o telegrama não é entregue.
Em nota, a Secretaria Municipal de Saúde informou que determinou abertura de sindicância para apurar o que aconteceu com no caso do paciente Paulo Cesar. Já o Detran informou, também em nota, que não faz exame papiloscópico em pessoas mortas. 

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