Na reunião, Paes se desculpou com a população e classificou a ação como "um movimento coordenado". "Peço desculpas. Infelizmente, o sistema do BRT vem enfrentando uma situação ruim já há algum tempo. Nós buscamos desde o primeiro momento, na transição ainda, melhorar o sistema. Sete ou oito estações já haviam sido recuperadas. Infelizmente nós tivemos hoje um movimento coordenado do BRT, que deu decisão aos motoristas e não tomou nenhuma atitude para que a população tivesse alternativas neste dia".
O prefeito disse ainda que, neste domingo (31), os concessionários negaram que haveria qualquer tipo de paralisação nesta segunda: "Eles sabiam que aconteceria a greve, mas negaram. Em paralelo, também não aceitaram qualquer tipo de atendimento a um plano de contingência que foi colocado ontem pela Secretaria de Transporte".
Quanto o pagamento dos funcionários do BRT, que alegaram estar atrasado, o político disse que a data para o salário sair é na sexta-feira (5). "Foi uma greve provocada por declarações deles. O salário não está atrasado. Um movimento entre as concessionárias e os empregados fez com que essa paralisação acontecesse. A prefeitura não tem que pagar salário de funcionário de empresa de ônibus. Entendemos que eles têm o direito de receber, mas nosso papel é cobrar da empresa, e não pagar o salário deles", afirmou o prefeito.
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Ainda na coletiva, Eduardo Paes admitiu que o contrato de concessão do BRT, feito por ele em seu mandato em 2010, não se sustenta e que foi um erro.
"Está claro que o contrato que está colocado hoje não se sustenta mais. A licitação feita em 2010 não tem acesso ao sistema de bilhetagem, o que era fundamental nos termos. Isso serve até para que possamos identificar que, eventualmente, existam desequilíbrios e que o sistema esteja subfinanciado".
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Em nota, o consórcio informou que "em razão de audiência marcada pela Justiça do Trabalho para amanhã, terça-feira, dia 02/02/2021, o BRT Rio suspendeu a aplicação do 5º. Termo Aditivo assinado com o Sindicato dos Rodoviários. Com isso, foi solicitado aos motoristas o retorno imediato ao trabalho". Da audiência participarão o Ministério Público do Trabalho, a Prefeitura do Rio, o BRT Rio e o Sindicato dos Rodoviários do Rio de Janeiro.
A audiência está marcada para às 14h desta terça na sede do Tribunal Regional do Trabalho.
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Sistema BRT fechado
O BRT Rio ficou paralisado nesta segunda-feira nos seus três corredores (Transoeste, Transcarioca e Transolímpica). Segundo o consórcio que administra o transporte, alguns motoristas impediram a saída dos ônibus das garagens em protesto contra a perspectiva de atraso de salários este mês.
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A cidade entrou em estágio de atenção às 6h30 por conta da paralisação. O estágio de atenção é o terceiro nível em uma escala de cinco e significa que há riscos de ocorrências de alto impacto na cidade. Há possibilidade de nova mudança de estágio devido a chuva ou outros fatores.
BRT anunciou que não tem dinheiro
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No sábado (30), o BRT divulgou nota para anunciar que não tem recursos para honrar os próximos compromissos prioritários, como o pagamento da segunda parte do salário de janeiro – em 5 de fevereiro – e a compra de insumos necessários à operação, como combustível, por exemplo.
De acordo com o presidente do Sindicato dos Rodoviários, Sebastião José, no BRT atuam cerca de 450 motoristas. Ele afirma que já havia informado a direção do BRT sobre a possibilidade de paralisação devido ao rodízio imposto aos funcionários. A situação piorou quando a empresa informou que não haveria condições de realizar o pagamento da categoria este mês.