Welison, funcionário do quiosque Naná, fechando o estabelecimento como manda o decreto
Welison, funcionário do quiosque Naná, fechando o estabelecimento como manda o decretoLuciano Belford
Por Aline Cavalcante
Rio - No primeiro dia de restrições na cidade do Rio, proprietários de quiosques na Zona Oeste já contabilizam os prejuízos que terão com o fechamento das barracas, como perda de alimentos armazenados e até demissões. Quiosque e comércios na orla deverão permanecer fechados por uma semana, conforme anunciado na última quinta-feira pela prefeitura. A Justiça do Rio, porém, determinou que bares e restaurantes poderão fechar às 20h em vez de 17h, horário anunciado anteriormente pela prefeitura. 

No Quiosque Naná, na praia da Barra da Tijuca, cinco funcionários foram dispensados. "Tive que dispensar cinco funcionários para conseguir sobreviver. Não sei como vamos ficar, mas esta situação é injusta. Por que os bares e restaurantes podem funcionar e os quiosques não? Não queremos descumprir nenhuma regra. Queremos só direitos iguais", reclamou o proprietário Thadeu de Lima, de 38 anos. Um dos funcionários demitidos do quiosque, Lucas Cardoso Amaral, 23, disse que está preocupado com a situação.

"Não sei o que vou fazer. Eu trabalho por comissão. Sem trabalho, não tem dinheiro. Estou preocupado e na esperança disso passar logo".

O vendedor de coco Lucas Pierre, 38, contou que seu faturamento vai cair 90%. "Bate um desespero. Cancelei todos os pedidos que tinha feito para os próximos três dias. Vendia três mil cocos por dia, agora vou reduzir para 300, vendedo nas feiras e para alguns clientes fixos. Com esta quantidade menor vou ter que terceirizar a compra e ganhar menos. Mas é o que dá pra fazer".

Bares e restaurantes fechados

Na Rua Olegário Maciel, point famoso pela quantidade de bares e restaurantes na Barra da Tijuca, os estabelecimentos cumpriram a medida da prefeitura de encerrar as atividades às 17h.
Fechados, os estabelecimentos funcionavam apenas para delivery. Minutos depois, no entanto, a Justiça do Rio expediu a determinação de que os estabelecimentos poderão fechar às 20h. O pedido foi feito pela Associação Brasileira de Bares e Restaurantes Seccional do Rio.

"O primeiro dia de restrição foi logo numa sexta-feira que é um dos dias que mais bombam. Então já deu pra sentir o prejuízo. Não esperava que fôssemos passar por isso outra vez, mas estamos mais experientes para trabalhar com delivery", disse Jaqueline Sá, 33, gerente da lanchonete Asa Rio.

Para o coordenador do Asa, Isais Ferreira, 39, a medida é necessária, mas poderia ter sido evitada. "Entendo que é uma situação ruim para o comércio, por conta dos prejuízos, mas é necessário para conter as aglomerações. Mas, acredito que deveria ter tido mais rigidez quanto as proibições de aglomerações lá atrás e não deixar chegar neste ponto".
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Prefeitura vai recorrer da decisão judicial
Após a Justiça determinar que bares e restaurantes poderão fechar às 20h, a Prefeitura do Rio anunciou que vai recorrer para que a medida restritiva de fechamento às 17h volte a vigorar. 
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"A prefeitura vai recorrer da decisão por entender ser insuficiente o fechamento a partir das 20h. De acordo com a Vigilância em Saúde e a Secretaria de Ordem Pública, o horário das 17h, que consta no decreto, foi estabelecido a partir de orientação técnica para diminuir a circulação de pessoas, evitar aglomeração e garantir o distanciamento social. Somente este ano, das 284 infrações sanitárias, mais de 87% foram realizadas no período noturno, evidenciando este ser o horário com mais pontos de aglomeração e descumprimento das regras por parte da população", diz a nota. 
"A Secretaria Municipal de Saúde constatou nesta quinta-feira um aumento de 16% dos casos de atendimento de síndrome gripal e síndrome respiratória aguda grave nas unidades de urgência e emergência da cidade, o que reforça a necessidade de maior rigor nas medidas de proteção à vida", finaliza a prefeitura.