Menino Henry Borel
Menino Henry BorelRedes Sociais
Por O Dia
Rio - Uma ex-namorada do vereador Jairo Souza, o Dr. Jairinho, padrasto de Henry Borel, morto no último dia 8, procurou o pai do menino, por meio de conversas de áudio, para desabafar sobre as agressões que a filha teria sofrido nas mãos do político. As conversas, expostas pelo 'Fantástico', da TV Globo, viraram objeto de investigação da Polícia Civil. 
O advogado de Dr. Jairinho e da mãe de Henry, Monique Medeiros, nega qualquer tipo de "conduta violenta". No áudio encaminhado a Leniel Borel, a mulher afirma ter medo das consequência das acusações dela.
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"Hoje já se passaram quase... quase não, oito anos de tudo que aconteceu comigo. E eu nunca fiz nada, nem nunca procurei nada por medo. A verdade é essa. E esse medo, eu vou ser bem sincera, eu tenho até hoje. Hoje, nessa data de hoje, eu tenho medo de alguma coisa acontecer, por ele saber as coisas que eu sei, em relação a mim, que aconteceram comigo e com ele".
Em entrevista ao 'Fantástico', o advogado de Dr. Jairinho, André França Barreto, negou qualquer agressão do seu cliente: "Jamais, jamais aconteceram (agressões). Esses episódios teriam acontecido há mais de uma década atrás e sem qualquer testemunha. O que a gente está tentando demonstrar é, subjetivamente: o Jairinho não tem qualquer conduta violenta de agressão".
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Segundo a ex-namorada de Jairinho, a filha foi agredida pelo vereador quando tinha apenas quatro anos. Ela relatou que a menina ficava nervosa, chorava e vomitava quando via Jairinho.
O  advogado de Leniel Borel disse que Henry relatava ao pai que não gostava do padrasto. No último domingo que o pai o devolveu à casa da mãe, no dia 7, o menino vomitou ao chegar na residência. "Ele vomitava quando ficava nervoso".

Em um dos áudios enviados ao pai do menino, a ex-namorada de Jairinho o aconselha a não se culpar pelo o que aconteceu e a se manter firme diante de tudo o que está vivendo. "Mas, assim, o que mais eu posso te falar é questão de você não desistir, sabe? De não se culpar, não se martirizar porque eu passo por isso todos os dias da minha vida, todos os dias, e por mais que a minha filha olhe no meu olho, como ela já olhou e disse pra mim: 'Você não teve culpa', eu sei, não adianta, é muito ruim".
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O advogado de Jairinho reafirmou que não há nenhum indício contra Jairinho e Monique Medeiros. "De tudo o que tem sido apurado até agora, tudo que a gente teve acesso, família ou conhecidos, da natação, do futebol, a gente categoricamente afirma que existem elementos concretos a demonstrar que o Jairinho e a Monique não têm qualquer condição, probabilidade, possibilidade de terem feito dolosamente ou ainda que culposamente qualquer ato de agressão ao Henry".
Em depoimento à polícia, a ex-namorada do vereador relatou alguns episódios de agressão:

- "afirma que chegou a rasgar sua roupa na rua, especificamente quando a viu chegando em casa vindo de uma 'balada'".
- "uma vez, quando queria conversar com a declarante e esta se recusou, Jairinho a puxou pela grade do portão da casa da mãe da declarante, o que fez com que batesse seus seios contra a grade"
- "algumas vezes em que (a filha) estava sozinha com Jairinho este a levava até o carro e dizia coisas como 'você atrapalha a vida da sua mãe', 'a vida da sua mãe ia ser mais fácil sem você'"
- "dava 'mocas' em sua cabeça e torcia suas pernas e braços (em relação à filha)"
em uma das vezes Jairinho a levou (a filha) a uma piscina e que neste lugar afundava sua cabeça embaixo d'água"
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Uma outra mulher, que preferiu não se identificar, também esteve na delegacia que investiga o caso. Ela afirmou já ter tido relação com Jairinho, porém, não foi revelado o que ela falou sobre o político.
Virada financeira da mãe de Henry
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Os pais do menino se separaram há cinco meses. Passados três, Mônica começou o namoro com o vereador Jairinho. Henry passava os finais de semana com o pai, que trabalha em Macaé. No começo do ano, Monique e o filho Henry foram morar com o político em um condomínio de classe média alta. Na época, em conversas com o ex-marido Leniel, ela falou sobre a situação financeira.

"Estava sem dinheiro para nada. Agora estou tendo a oportunidade de dar uma vida melhor a ele, de matricular ele numa escola boa e cara".

Em janeiro, a professora foi cedida para o Tribunal de Contas do Município. O salário de R$ 4 mil passou para R$ 16 mil.
Relembre o caso
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O menino morreu no último dia 8, após ser deixado na casa da mãe, Monique Medeiros, pelo pai da criança, Leniel Borel. Pai e filho tinham passado o fim de semana juntos e durante a madrugada, a mãe e o padrasto, o vereador Doutor Jairinho, encontraram a criança desmaiada no chão do quarto do casal. Ele foi levado a um hospital na Barra da Tijuca, onde teve a morte constatada.
"O nosso papel como defesa do pai não é incriminar A ou B, é saber a verdade. Por que o menino morreu daquele jeito? Daquela forma?", disse Leonardo Barreto. O laudo do Instituto Médico Legal (IML) apontou diversas lesões pelo corpo da criança, infiltrações hemorrágicas nas partes frontal, lateral e posterior da cabeça, contusões no rim, no pulmão e no fígado. A causa da morte seria "hemorragia interna causada pelo rompimento do fígado".