A interventora do BRT, Cláudia Secin, o prefeito Eduardo Paes, e a secretária municipal de Transportes, Maína Celidonio
A interventora do BRT, Cláudia Secin, o prefeito Eduardo Paes, e a secretária municipal de Transportes, Maína CelidonioBeatriz Perez/ Agência O DIA
Por Beatriz Perez
Rio - A Prefeitura anunciou na manhã desta quarta-feira uma série de medidas para melhorar o serviço do BRT e das linhas comuns de ônibus na cidade. Na quinta-feira a Secretaria Municipal de Transportes vai apresentar o plano de recuperação do BRT para a Câmara dos Vereadores do Rio para autorização da execução de cerca de R$ 133 milhões.
Atualmente 40 ônibus comuns realizam um trajeto emergencial entre Santa Cruz e Alvorada nas calhas do BRT. Chamado de "Diretão", esse modelo deve ser estendido e chegar a 90 veículos. Na próxima semana serão incluídas na linha emergencial as estações Pingo D'Água, Mato Alto e Magarça, no corredor Transoeste. Com isso, articulados serão liberados para atuar na Estação Madureira, no corredor Transcarioca. O prefeito Eduardo Paes reconhece que as medidas não vão deixar o serviço ótimo a curto-prazo. "Mas as medidas vão amenizar o sofrimento da população", disse.
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Para recuperar as estações do BRT, a Prefeitura calcula gastar R$ 20 milhões. A secretaria municipal de transportes pretende reabrir 46 estações que estão fechadas em até seis meses. Atualmente, 88 estações estão funcionando na cidade. A Prefeitura também planeja reintroduzir articulados, conforme reparos forem realizados, e chegar a 241 BRTs circulando em setembro. Até o dia 10 de abril, 150 articulados devem estar nas ruas.
A interventora Cláudia Secin ressaltou a degradação da frota verificada pela intervenção. Ela disse que há 297 veículos nas garagens. Destes, 56 precisam de um investimento de 300 mil para voltar a circular em um prazo de 6 meses; 94 veículos estão tecnicamente retidos e precisam de um investimento médio para retornar no prazo médio de 3 meses. Outros 27 veículos precisam de um baixo investimento e podem retornar mais rapidamente às ruas. Apenas 120 articulados estão em operação.
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O índice de quebra dos ônibus de BRT também chamou a atenção da interventora. " São 67% os ônibus que saem para circular e quebram. Por isso estamos estudando um trabalho preventivo", disse. Cláudia Secin destacou que encontrou o estoque de peças de manutenção praticamente zerado, indicando uma má gestão do almoxarifado.
Revisão de linhas suspensas
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A secretária municipal de Transportes do Rio, Maína Celidonio, disse que está trabalhando na revisão das suspensões de linhas de ônibus. A Secretaria Municipal de Transportes identifica áreas que deixaram de ser atendidas por mudanças nos trajetos. O planejamento pode alterar e recriar linhas nos próximos seis meses. Segundo Maína, entre 2010 e 2021, 196 linhas foram extintas e 60, alteradas. Outras 77 linhas foram criadas. 
As primeiras linhas que sofrerão modificações são as cinco campeãs em reclamação na ouvidoria do 1746. São elas: a 157 (Gávea-Central), a 387 (Carioca-Restinga), a 434 (Grajau-Leblon), a 636 (Gardênia Azul-Saens Pena) e a SV809 (Jardim Bangu-Bangu), que será reimplantado. Todas as linhas que recebem queixas no 1746 serão analisadas.
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. 157 - É uma linha considerada prioritária porque atende a Lagoa e a Fonte da Saudade, que são pouco cobertas por ônibus. A Secretária Municipal de Transportes propõe o aumento da extensão da linha chegando até a Central, melhorando a integração com outros modais.
. 387 (Carioca-Restinga) - A linha será estendida.
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. SV809 (Jardim Bangu-Bangu) - A linha será reimplantada
A intenção da Prefeitura é melhorar as integrações entre diferentes modais de transportes e aumentar a extensão das linhas. "Estamos fazendo um reajuste fino e delicado para melhorar o atendimento ao usuário", disse a secretária. "À medida que vamos vendo, já vamos determinando os ajustes nas linhas. Até o final de junho a gente pretende fazer os ajustes necessários em todas as linhas que foram extintas ou sofreram racionalizações equivocadas, várias foram cometidas no meu governo", reconheceu Paes.
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Estações adaptadas
As estações de BRT também passarão por reformas para reduzir a incidência de furtos e depredações. As mudanças também devem ter impacto sobre os calotes, segundo o assessor técnico da interventora, Marcos Couto. Segundo ele, em março o BRT acumulou 1890 chamados de manutenção."Todos os meses continua a depredação", ressalta. O BRT projetou um modelo físico que melhora o conforto climático e de ventilação e substitui os atuais painéis de vidro, por outros de alumínio. O modelo já foi testado na Estação Salvador Allende, que ,em dois meses, não apresentou registro de depredação, segundo Couto.
O travamento de mecanismo de porta e a quebra de vidro são as duas principais depredações verificadas pelo BRT. " Gasta-se de 55 até 100 mil reais por mês com manutenção"< comentou o assistente da intervenção.
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BRT Presente
O prefeito Eduardo Paes disse que o secretário Breno Carnevalle, da Secretaria Municipal de Ordem Pública, vai anunciar "o mais breve possível" o BRT Presente. Segundo o prefeito do Rio, este foi um pedido dos vereadores da cidade. O serviço de segurança nas estações será feito, a princípio, com a contratação de horas de folga de guardas municipais e policiais militares.
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" Será um investimento na busca de trazer mais conforto e segurança no BRT", disse o prefeito do Rio durante coletiva de imprensa no Palácio da Cidade, em Botafogo, na manhã desta quarta-feira.
A interventora do BRT Cláudia Secin, o secretário municipal de Fazenda, Pedro Paulo, e a secretária municipal de Transportes, Maína Celidônio, se reúnem na quinta-feira com parlamentares na Câmara Municipal do Rio para apresentar um projeto de lei que autoriza a execução de R$ 133 milhões para melhorias no BRT.
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Ao projeto, o presidente da Câmara, Carlo Caiado, e os vereadores Felipe Michel, Luís Carlos Ramos Filho e Alexandre Isquierdo, que fazem parte da Comissão de Transportes, apresentarão uma emenda para a criação do programa BRT Presente.

Segundo o texto, "serão designados pelo menos dois agentes de segurança por estação do BRT, que ficarão fixos a fim de coibir infrações e zelar pela segurança dos usuários".A contratação do programa será por convênio específico a ser firmado pelo Executivo, como acontece no Segurança Presente.

"Não adianta recuperar as estações e não fiscalizar. Todos os dias a gente vê atos de vandalismo no BRT. Existem duas leis de minha autoria que punem quem depreda e dá calote que não são cumpridas, justamente por falta de fiscalização. Esse é o momento certo de implementar esse programa, que é um sucesso em toda a cidade", disse Felipe Michel.

A reunião está marcada para esta quinta-feira, às 11h, na sala da presidência da Câmara de Vereadores. Após a discussão, poderá haver a votação do projeto de lei, em regime de urgência, que estava prevista para ontem, mas foi adiada.
Nota Rio Ônibus
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Sobre a necessidade de injeção de recursos anunciada pela Prefeitura para devolver qualidade operacional ao sistema BRT, A Rio Ônibus divulgou nota em que diz não ter ficado surpresa. "A conclusão do Município confirma tudo o que foi dito pelos operadores ao longo dos últimos anos, principalmente no período de pandemia, não apenas em relação ao BRT, mas, especialmente sobre os ônibus convencionais, que transportam 70% dos passageiros cariocas", diz o texto. "Mantemos a premissa de encontrar soluções viáveis para o transporte rodoviário, reportando demandas necessárias e colaborando com a Prefeitura na busca por um serviço adequado ao deslocamento da população", disse Paulo Valente, porta-voz do Rio Ônibus.