Paciente intubado na UTI para tratamento de covid no Hospital Ronaldo Gazolla, em Acari
Paciente intubado na UTI para tratamento de covid no Hospital Ronaldo Gazolla, em AcariDaniel Castelo Branco
Por MARTHA IMENES
Os números que não param de crescer no Rio de Janeiro: 39.038 pessoas morreram em decorrência da covid no estado desde o início da pandemia. Nas últimas 24 horas, foram contabilizados 3.820 novos casos e 381 óbitos. No Município do Rio foram confirmados 236.339 casos, sendo 50.005 graves e21.613 óbitos. Mesmo com números alarmantes o que se vê é um show de desrespeito: praias cheias, calçadão bombando, bailes lotados, festas clandestinas apinhadas de gente. Em comum o não uso da máscara de proteção. E essas pessoas que não cumprem as medidas restritivas podem servir de vetores para o coronavírus, contaminando por onde passarem.
Parentes de vítimas da doença lamentam o descaso governamental e a falta de empatia de parte da população. "Falta consciência para essas pessoas que ficam aglomerando como se não estivéssemos no meio de uma pandemia. Hoje nós só temos duas alternativas para nos livrarmos da covid: vacina e consciência", diz Marcos Valim, de 35 anos, que perdeu o pai, Sergio Gomes, 68, em maio por causa do coronavírus.
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A sobrecarga no sistema de saúde é pontuado pela médica Jane Teixeira, da Sharecare. "O risco direto é o aumento de transmissão entre as pessoas e logo, de casos de covid na comunidade. E um grande número de casos sobrecarrega os serviços de saúde (públicos e privados), comprometendo a qualidade da assistência e mesmo a disponibilidade de vagas, o que aumenta ainda mais o risco de má evolução", alerta.
A especialista chama atenção para o uso da proteção facial. "As máscaras, se adequadamente utilizadas, dificultam e até impedem a transmissão dos vírus entre os indivíduos", afirma. E adverte: "Os países que adotaram regras mais rígidas de controle como Austrália e Nova Zelândia tem hoje uma vida mais próxima do normal. Reino Unido e Estados Unidos que estão mais avançados na vacinação já verificam menos transmissão e menos óbitos, com uma perspectiva de retomada em vista", explica.
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Mais de 17 mil autuações na capital desde o 1º decreto
Para tentar conscientizar a população e fazer valer as regras mil agentes municipais estão fiscalizando 24h por dia e aplicaram mais de 17 mil autuações desde março, informou a Seop.
E como resolver? Cercadinho? Fitas? Agentes? Não, explica o advogado Marco Túlio Gomes Vicente. "Adotando maior rigidez e cumprimento da legislação", adverte. "Os governantes não dão exemplo e o povo acaba não cumprindo. E uma decisão do STF já deixou claro que estado e município que tem o poder de determinar e fiscalizar", afirma o advogado Marco Túlio Gomes Vicente.
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"O isolamento social no Rio de Janeiro, se fez necessário, uma vez que o índice de mortes e contágio estava enorme, com esses dias de isolamento já surgiu efeito. Espero que as pessoas tenham consciência e não aglomerem nas praias e em eventos privados. Lembro inclusive como rubro negro que domingo teremos uma final contra o Palmeiras às 11h, meu pedido vai para todos que não abusem, vamos evitar novos isolamentos sociais, para a economia não ter que ser mais sacrificada. Fique em casa".
O que dizem as autoridades
O DIA perguntou às forças de segurança do estado, que trabalham apoiando os agentes municipais, como poderia impedir as pessoas de ficar tomando banho de sol, de mar, como se tudo estivesse normal.
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A Polícia Militar informou que, "dentro dos decretos municipal e estadual, figuramos como órgão de apoio aos agentes de fiscalização sanitária. Mesmo assim, em locais em que estes agentes não podem entrar, durante este lockdown, impedimos mais de duas dezenas de grandes eventos em comunidades", explicou em nota.
A Secretaria de Segurança, por sua vez, disse que: "No âmbito no estado, as forças de segurança estão à disposição, quando solicitadas, para atuarem de forma colaborativa junto aos municípios".
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Atenção à evolução dos casos no Rio
Questionada pelo jornal O DIA, a Prefeitura do Rio informou que "está atenta e acompanha a evolução da pandemia na cidade e no Brasil. Nas últimas semanas foram adotadas medidas mais restritivas, consideradas necessárias para o momento epidemiológico da cidade".
"É importante destacar que as medidas restritivas de proteção à vida, implantadas pela Prefeitura do Rio, seguem as orientações da Secretaria Municipal de Saúde e do Comitê Científico", afirmou em nota.
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"Após 14 dias da adoção de medidas mais restritivas já foi possível perceber melhora nos números de casos, atendimentos e internações", finalizou.