Por Nuno Vasconcellos
Rio - Acordei nesta terça-feira com uma notícia terrível. Meu amigo Aloy Jupiara, editor-chefe de O DIA, foi mais uma das vítimas da covid-19. Morreu durante a madrugada. Era, além de um jornalista brilhante e de um escritor atento, um amigo querido. Tinha um senso apurado de justiça e de responsabilidade profissional, sem jamais perder a capacidade de se indignar com o que considerava errado.
Um homem de bem! Um trabalhador incansável! Um grande exemplo de pessoa, que amava o Rio de Janeiro e o Carnaval carioca! Perder alguém como ele, que tinha apenas 56 anos e uma carreira inteira pela frente, causa tristeza e desperta a frustração de nada podermos ter feito pra evitar a partida precoce de alguém que merecia muito mais...
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No meu caso específico, além de um amigo, perdi um grande parceiro. Aloy e eu começamos a trabalhar, há pouco mais de um ano, num projeto inovador. Com sua experiência e habilidade no trato com as pessoas, criamos O Dia Cidade e o IG Cidade, com conteúdos e visões locais sobre os acontecimentos em mais de 40 municípios dos estados do Rio de Janeiro e São Paulo.
Aloy liderou o projeto com competência e entusiasmo. E fez dele um sucesso. Mais tarde, quando tomamos a decisão estratégica de reestruturar as redações dos jornais O DIA e Meia Hora, em seus conteúdos impressos e digitais, ele assumiu um novo desafio. Com a competência e a dedicação habituais, passou a comandar a redação de O DIA, em sua versão impressa. Fizemos, nessa trajetória, o que ninguém tinha ousado fazer durante anos.
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Nos falávamos diariamente e nossas trocas de ideias sempre foram marcadas pela serenidade com que ele recebia as sugestões e, depois de discuti-las e expor seu ponto de vista, punha em prática o que ficou acertado. Ele, ao lado de Luiz Mendes, Bruno Ferreira, Edmo Júnior e eu formávamos uma equipe que, hoje, fica desfalcada e mais pobre. Tudo o que podemos pedir é que a energia, o entusiasmo e o talento de Aloy permaneçam conosco e nos sirvam de inspiração.
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Os primeiros sintomas da covid-19, por uma dessas coincidências infelizes da vida, se manifestaram em Aloy pouco depois de 25 de março, dia em que circulou a edição de O DIA com o registro da marca de 300 mil mortes pela covid. Foi ele quem coordenou o projeto, sempre com a intenção de registrar a extensão a tragédia e a brutalidade com que a pandemia tirava vidas. Menos de um mês depois, ele se tornou mais uma vítima dessa doença, que os mais irresponsáveis insistem em considerar uma "gripezinha".
A melhor maneira de honrar a memória de Aloy será endureceremos nossa luta e nossa vigilância contra os hábitos irresponsáveis que têm elevado as taxas de infecção a níveis alarmantes. E continuaremos cobrando a quem de direito as providências que levarão a vacina, que será nossa tábua de salvação, aos braços de todos os brasileiros. Agradeço a Aloy por ter confiado em mim, nas minhas palavras e nos nossos projetos. E de ter me proporcionado a oportunidade de trabalhar a seu lado. Amizades não se medem pelo tempo de duração, mas pelas experiências, os sonhos e as ideias compartilhadas. No caso de Aloy, posso dizer que perdemos um Ser de Luz!
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