Eduardo Paes publica mensagem sobre vacinação no Rio: 'Vai ter carnaval!'Reprodução / Redes Sociais

Por O Dia
Rio - Após o prefeito Eduardo Paes sinalizar mais uma vez, nesta quinta-feira, a retomada dos grandes eventos na cidade, especialistas pedem cautela no planejamento. De acordo com dois médicos ouvidos pelo DIA, é necessário que haja queda dos indicadores e aumento na vacinação em todo país antes de se pensar em eventos como Réveillon e Carnaval. "O Rio não é uma ilha. Não está isolado", disse a pesquisadora em saúde e membro do comitê de combate ao coronavírus da UFRJ, Chrystina Barros. Até esta quinta-feira, o Rio já vacinou 2,404 milhões de pessoas, cerca de 35,6% da população carioca, segundo o Painel Rio Covid-19.
A retomada dos eventos foi assunto de Paes em várias ocasiões, entre elas uma postagem no Instagram, nesta quinta, em que ele projeta o Carnaval 2022. "É Rio na alma. Xô, coronavírus! Bora vacinar! Vai ter carnaval! Em tempo: Por enquanto, usem a máscara e sigam as regras, hein.", disse o prefeito na legenda de um vídeo em que aparece na Sapucaí, em 2017.
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"Em parte, essa expectativa de retomar eventos já vem acontecendo no mundo e pode realmente ser considerada quando a cobertura vacinal da população chegar, pelo menos, a 75%. Estados Unidos, Alemanha, Israel e Inglaterra, vários países quando alcançaram esse nível e começaram a ver a queda no número de casos começaram a realizar testes em eventos, então isso é possível sim", menciona Chrystina.
Apesar da sinalização positiva devido ao número de imunizados e a queda de casos, a pesquisadora alerta para a necessidade de que não só o Rio, mas todos os estados do país tenham resultados parecidos no combate à covid-19.
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"Um ponto muito importante, vamos pensar no réveillon. O revéillon não é um evento apenas carioca, é um evento nacional e, inclusive, internacional. Copacabana reúne 2 milhões de pessoas não só do Rio de Janeiro. Copacabana reúne milhões de pessoas de todo o mundo. Então, o que precisa ser visto é a epidemia no país. Nós não podemos receber visitantes e transitar pessoas, porque o Rio de Janeiro não é uma ilha. Não é isolado. Tem que se observar muito bem que tipo de eventos serão esses, quais as condições de realização deste evento. Até porque mesmo um evento ao ar livre, como é o caso do réveillon, significa aglomeração de pessoas. Estas que, certamente, estarão sem máscara, brindando e confraternizando umas ao lado das outras", alertou.
O vice-presidente da Sociedade Brasileira de Infectologia, Alberto Chebabo, concorda que é necessário um panorama nacional igual no combate a pandemia para que os eventos sejam realizados. Segundo ele, com números elevado de vacinados e de queda da taxa de transmissão, é sensato que os eventos de grande porte a partir do fim do ano comecem a ser planejados.
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"A gente idealmente teria que ter essa mesma velocidade em outras cidades, principalmente as mais próximas, mas eu acredito que essa programação para o fim do ano seja factível sim", concluiu.
Ainda de máscara
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Mesmo com os bons números, Chrystina Barros acredita que as medidas de prevenção ao novo coronavírus podem ser mantidas nesses eventos. "A vacina é a principal ferramenta de manejo e controle de uma epidemia. Mas enquanto houver disseminação da doença, em níveis acima de um e isso só saberemos no futuro, todas as outras medidas não farmacológicas de distanciamento, lavagem das mãos, uso de máscara e álcool gel continuam valendo. Principalmente para garantir mais segurança na própria vacina", explicou.
A especialista acredita que o relaxamento dessas medidas deve começar a ser pensado no primeiro semestre do ano que vem. "Nesse momento, não há perspectiva de que isso aconteça".