Moradores retomam rotina após onda de violência na Zona Oeste Reginaldo Pimenta / Agência O Dia

Rio - O tenente-coronel Ivan Blaz, porta-voz da Polícia Militar, disse nesta sexta-feira (17) que a prioridade é estabilizar a região da Zona Oeste para que a população se sinta segura. A declaração foi feita ao Bom Dia Rio, da TV Globo, 24 horas após os ataques da milícia que terminou com sete vans incendiadas e três pessoas mortas
Segundo o porta-voz, o 'racha' entre esses grupos é fruto do trabalho realizado pelo poder público do Rio contra à milícia, que já resultou na prisão de mais de mil criminosos e na desestabilização das principais fontes de renda. 
"Este conflito entre quadrilhas surge primeiramente por conta da intervenção do Estado nas ações contra a milícia. Aí você tem a morte do Ecko e tem o reflexo direto no fato do poder, uma vez que a disputa interna vai se acirrar. Posteriormente, tem ataques que começam a se suceder, de uma facção contra outra", afirmou o porta-voz à TV Globo.
A Zona Oeste passou a ser dividida por dois grupos paramilitares após a morte de Wellington da Silva Braga, 34 anos, o Ecko. As forças de segurança do Estado apontaram o irmão de Ecko, Luís Antônio da Silva Braga, conhecido como Zinho, como seu sucessor, mas um antigo aliado, Danilo Dias, o Tandera, decidiu retomar alguns pontos de atuação da milícia. 
O controle sobre o transporte alternativo é uma das principais fontes de renda da milícia. Para Blaz, o o policiamento nas principais áreas de conflito pode garantir a circulação de transporte público na região. 
"É por isso que o policiamento reforçado está sendo colocado em pontos estratégicos. A gente está falando de bairros que são muito grandes. Campo Grande e Santa Cruz têm áreas que precisam muito deste transporte público".
Ruas vazias e clima tenso
As vans e ônibus  voltaram a circular na região. A Prefeitura do Rio garantiu que a campanha de vacinação não seria suspensa nos postos de saúde. As escolas do município também não fecharam. 
Apesar da tentativa de retomada de rotina, o clima ainda é tenso na Zona Oeste. "Durante a madrugada eu escutei tiros onde moro. Alguns bairros ainda estão sem vans. A gente não sabe o que acontece nos bastidores, mas nossas vidas não podem parar", comentou um comerciante de Campo Grande.