Nilza prestou queixa na Decradi nesta terça-feiraReprodução

Rio - Nilza Valeria Zacarias, de 50 anos, registrou nesta terça-feira, na Delegacia de Crimes Raciais e Delitos de Intolerância (Decradi) o episódio de racismo que sofreu ao tentar entrar em uma joalheria, no interior do NorteShopping, no último sábado. Segundo ela, o sentimento é de desgaste ao precisar se reafirmar diante de casos como este. "A gente que vem aí há muitos anos trabalhando com a questão de incentivando as pessoas a a denunciar as que sofrem e me dei conta nesse lugar que é muito difícil ser denunciante", disse emocionada.
A jornalista foi chamada de "pobre" e "favelada" durante uma discussão com a proprietária da joalheria Olímpia. Nilza tentava abrir a porta de vidro que estava fechada, mas não sabia se a loja estava aberta, pois outros estabelecimentos do shopping seguiam com o atendimento. O caso aconteceu por volta de 21h30.
Nilza relata que há um desconforto muito grande ao acompanhar o caso e não ter certeza sobre a real efetividade e as penalidades contra pessoas acusadas de racismo. "Você se expõe e você não tem nenhuma certeza sobre o resultado efetivo disso. Então é esse sentimento de desconforto, de desgaste. Eu acho que esse é o sentimento que eu estou tomada hoje", contou.
Djeff Amadeus, advogado de Nilza e membro do Movimento Negro Unificado (MNU), diz que será preciso analisar imagens das câmeras de segurança do shopping e depois, a proprietária da loja será chamada na delegacia para prestar esclarecimentos. "O que leva uma pessoa suposta ou que aparentemente é sócia de um empreendimento a chamar de favelada e pobre uma mulher negra? É interessante lembrar como o racismo se manifesta de várias formas de várias nuances", explicou.
O caso será investigado pela Decradi que irá apurar os relatos. A reportagem tentou contato com a proprietária da loja, mas não recebeu retorno até a publicação desta matéria.