Rio - "Não consigo me ver trabalhando novamente naquele ambiente". O desabafo é da porteira Joyce Santos, de 27 anos, flagrada sendo agredida, nesta terça-feira (27), pelo morador Ronaldo Wilken no Condomínio São Vianney, no bairro do Flamengo, Zona Sul do Rio. Ao DIA, ela relatou que não houve acolhimento por parte dos moradores, nem do síndico do prédio.
Segundo Joyce, que está afastada do trabalho por razões médicas após o incidente vir à tona, ela não recebeu nenhum contato por parte do síndico, identificado como João Nelson.
"Eu liguei para o condomínio, para comunicar meu afastamento, e o síndico me perguntou quando eu retornaria ao trabalho e disse que os dias que não trabalhei seriam descontados. Ele sequer perguntou como eu estava", desabafou.
Joyce relatou ainda que, apesar de ter boa relação com todos os moradores, nos quase três anos em que trabalhou no prédio, ninguém a procurou para oferecer apoio.
"Somente o homem que me ajudou e a mãe dele me ligaram para perguntar como eu estava", disse Joyce, ressaltando disse que a família já havia prestado apoio na primeira agressão sofrida, a levando, inclusive, para ser atendida em uma Unidade de Pronto Atendimento (UPA).
O designer Moisés Lerner, de 29 anos, vizinho que presenciou as agressões sofridas pela vítima enquanto entrava no prédio, deu sua versão. Ele entrou pelos fundos da garagem, mas correu para a portaria quando ouviu os gritos. Assim que viu Ronaldo agredindo a mulher, tentou segurá-lo.
"Ele já havia ofendido ela outra vez, mas dessa vez foi maior. Acredito que ele tenha visto a intimação da Justiça e ficou furioso", disse.
Moisés contou que, inclusive, já teve problemas com Ronaldo por conta do latidos do seu cachorro.
"Uma vez ele veio reclamar comigo que o meu cachorro estava assustando o gato dele", disse.
O designer acredita que a falta de apoio por parte dos moradores é, em grande parte, pelo "comodismo" que as pessoas têm em relação à violência. "O que eu fiz, deveria ser a obrigação de qualquer ser humano. Passar por uma fato daquele, e não fazer nada, é quase desumano".
Procurado pelo DIA, o síndico do Condomínio São Vianney não respondeu aos contatos. O espaço está aberto para manifestação.
Policiais não quiseram ouvir testemunha
Após ser agredida pelo morador, policiais chegaram ao local e conduziram todos à 9ª DP (Catete), onde a ameaça havia sido registrada. Segundo a porteira, a ida à delegacia não resolveu nada, já que os policiais não quiseram ouvir a testemunha.
"Quando chegou lá, o policial simplesmente disse que não dava 'qualquer probleminha' que a gente tivesse que ir na delegacia. Disse depois que a gente precisava resolver entre a gente. Não quis ouvir o morador que foi testemunha, não quis ouvir o áudio e a gravação", lamentou a vítima.
Procurada, a assessoria da Polícia Civil respondeu, por nota, que "os casos foram registrados na 9ª DP (Catete) como ameaça, lesão corporal e injúria. A vítima foi ouvida em sede policial e o caso foi encaminhado ao Juizado Especial Criminal (Jecrim)".
Quanto ao ocorrido durante o atendimento, a instituição informou que delegacia responsável pelo inquérito abrirá um procedimento para apurar o fato e que "tal comportamento citado não é compatível com a postura das equipes das unidades do Rio de Janeiro". A polícia acrescentou "que qualquer reclamação pode ser feita por meio da ouvidoria".
A funcionária Joyce Santos, de 27 anos, sofreu tapas, empurrões e foi encurralada por morador que ela alega já ter feito outras ameaças#ODiahttps://t.co/gVmq3IF0G5
Os comentários não representam a opinião do jornal e são de responsabilidade do autor.