Poze do Rodo foi preso durante operação da Polícia Federal Reprodução/Redes sociais


Rio – Marlon Brendon Coelho Couto da Silva, o MC Poze do Rodo, passou a primeira noite na Penitenciária Laércio da Costa Pellegrino (Bangu 1), na Zona Oeste, para onde foi transferido na manhã desta sexta-feira (17). O cantor foi preso em operação da Polícia Federal contra um grupo voltado à movimentação financeira ilícita, inclusive por meio de criptoativos, no Brasil e no exterior.
Horas depois da prisão, Poze do Rodo deu entrada no Presídio José Frederico Marques, em Benfica, na Zona Norte. Já no dia seguinte, em audiência de custódia, a Justiça Federal decidiu manter a prisão do MC
Logo após a prisão - a terceira em menos de sete anos -, Fernando Henrique Cardoso, advogado de Poze, afirmou que seu cliente se mostrou surpreso com a ação da PF: “A abordagem foi dentro da legalidade. Ele se mostrou surpreso, evidentemente, porque não cometeu nenhum tipo de ilicitude, mas a gente precisa ter acesso aos autos para entender exatamente quais são as circunstâncias da prisão e prestar esclarecimentos à Justiça".
Ações em outros estados
As investigações, no âmbito da Operação Narco Fluxo, apontam que os envolvidos utilizavam um sistema para ocultação e dissimulação de valores, incluindo operações de alto valor, transporte de dinheiro em espécie e transações com criptoativos. O volume financeiro movimentado pelo grupo ultrapassa R$ 1,6 bilhão.
Mais de 200 policiais federais cumpriram mandados de busca e apreensão e de prisão temporária, expedidos pela 5ª Vara Federal em Santos (SP), em endereços localizados em 24 cidades dos estados de São Paulo, Rio de Janeiro, Pernambuco, Espírito Santo, Maranhão, Santa Catarina, Paraná, Goiás e no Distrito Federal. Além de Poze, o funkeiro Ryan Santana dos Santos, o MC Ryan SP, um dos mais famosos do Brasil, também foi preso, na capital paulista, suspeito de liderar o esquema criminoso.
Durante as ações, os policiais apreenderam veículos, armas, dinheiro, documentos, equipamentos eletrônicos e itens pessoais, como um relógio. Também foram determinadas medidas de constrição patrimonial, incluindo o sequestro de bens e a imposição de restrições societárias, com o objetivo de interromper as atividades ilícitas e preservar ativos para eventual ressarcimento. As investigações continuam e os envolvidos poderão responder pelos crimes de associação criminosa, lavagem de dinheiro e evasão de divisas.
Entenda o esquema
Segundo a PF, o dinheiro ilícito tinha origem em bets, rifas digitais ilegais nas redes sociais e, principalmente, no tráfico de drogas. Para "limpar" os valores, os criminosos repassavam as quantias aos artistas, sob o pretexto de pagamento por publicidade. As investigações apontam que Poze teria se vinculado a empresas para auxiliar na circulação desses recursos.
Raphael Sousa Oliveira, criador da página Choquei no Instagram e um dos alvos da operação, atuaria como uma espécie de operador de mídia da organização, recebendo altos valores para publicar conteúdos que favoreciam a imagem dos artistas ligados ao esquema. Raphael, MC Ryan SP e outros outros 29 alvos também tiveram a prisão mantida.